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Tsipras ataca “exigências absurdas” e alerta para o fim da democracia

Grandes da UE querem forçar Atenas a avançar com programa oposto ao que os gregos elegeram, diz Tsipras. Bruxelas pede reformas

prazos

Entre rumores, previsões e exigências, os gregos viveram ontem mais um dia da longa incerteza em que se encontram há quatro meses, duração das negociações entre o seu governo e as instituições europeias sobre um novo acordo – a moeda de troca exigida pelos organismos para libertarem uma tranche de 7,2 mil milhões do empréstimo a Atenas. Mas o que fazer se as instituições exigem a um governo que faça o oposto do programa com que foi eleito? Foi esta questão que levou Alexis Tsipras a bater o pé num artigo publicado no “Le Monde”.

No texto, em que recorda o fracasso do programa de austeridade imposto ao país, Tsipras lembra que “a 25 de Janeiro o povo grego tomou a decisão corajosa” de cortar com “o sentido único da austeridade bruta para procurar um novo acordo que mantenha a Grécia no euro, com um programa viável”. Para o governante helénico, “o que fizemos nos últimos meses foi tentar acabar com o ciclo vicioso”, recordando depois as várias medidas já postas em prática no país, como o reforço do combate à evasão fiscal, a reforma do IVA e da Segurança Social.

Para Tsipras, as entidades responsáveis pela austeridade cega deviam ter percebido “antes de mais que não é possível exigir que um novo governo prossiga o caminho do anterior, que, não esqueçamos, falhou miseravelmente”, caso contrário a existência de eleições está em risco. “As eleições teriam de ser abolidas e caberia às instituições nomear governos em que os cidadãos não poderiam votar.”

Tsipras identifica na postura das instituições “o princípio de uma monstruosidade tecnocrática” que vai matar as bases da unidade europeia. “O primeiro passo para isto é a criação de uma Europa a duas velocidades, em que o centro vai impor duras regras de austeridade, nomear um superministro das Finanças com poderes ilimitados, incluindo rejeitar os orçamentos de Estados soberanos não alinhados com as doutrinas neoliberais Quem recusar será duramente castigado com mais austeridade, restrições de capital e até uma moeda paralela”.

A Comissão Europeia não gostou das palavras de Tsipras e a sua porta-voz, Mina Andreeva, reagiu com um lacónico: “Mais que opiniões o que importa são reformas concretas.” Entretanto, a recém designada representante grega no FMI renunciou ontem ao cargo na sequência das críticas de membros do Syriza ao facto de ter sido uma defensora das medidas de austeridade no parlamento.

in: Jornal i, 2 Junho 2015

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