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Governo quer economia ainda mais dependente do consumo do que em 2009

Se em 2009 o consumo privado tinha um peso de 61%, com o PEC sobe para 65%

O caminho prometido pelo governo até 2019, segundo o recente Programa de Estabilidade (PEC), assenta no crescimento acelerado do consumo das famílias e na manutenção de um nível recorde de receitas. E se o consumo era até há pouco o grande inimigo a abater – a tal ideia de “vivemos acima das possibilidades” –, desde o ano passado que é o melhor amigo da maioria: não só foi o que permitiu a Maria Albuquerque dizer que cumpriu as metas apesar de as previsões terem falhado, como é agora o grande suporte do PEC.

Segundo as contas da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) na análise preliminar ao documento, que ontem foi discutido no parlamento (ver páginas 2 e 3), o caminho preconizado fará com que a economia fique dependente 65,1% do consumo privado, valor que compara com os 61,3% de 2009. Este aumento do peso do consumo privado na economia é assim o caminho encontrado pelo executivo para conseguir prometer agora ritmos de crescimento mais elevados nos próximos anos: se no documento de estratégia orçamental, de Abril de 2014, a maioria apontava para um crescimento médio do PIB de 0,8%, agora já consegue acenar com a promessa de um crescimento médio anual de 2,1% até 2018.

Igualmente importante no caminho que o governo decidiu trilhar será a manutenção de um nível recorde de captação de receitas por parte do Estado. Embora se perspective no PEC uma redução da receita total das administrações públicas em percentagem do PIB a partir de 2016, se ainda assim em níveis elevados numa perspectiva aponta a UTAO, Depois de ter alcançado, em 2013, 44,6% do PIB e de se ter mantido, em 2014, praticamente inalterada naquele nível, as projecções orçamentais apontam que a receita nominal cresça em 2015 a um ritmo superior ao do PIB e se eleve Já a partir de 2016, e apesar de uma redução gradual deverá ainda assim situar-se em 43,4% do PIB, um valor elevado numa perspectiva histórica, que supera os níveis registados nos anos .

No que toca à despesa, o PEC “aponta para um ligeiro aumento” este ano, para 48% do PIB, seguindo-se uma “redução” nos anos seguintes, até 43,3% do PIB em 2019. A quebra será possível graças ao corte de 600 milhões que PSD/CDS querem dar nas pensões e à “melhoria do mercado de trabalho, ou seja, a redução do desemprego de 14% para 11,1%”.

in: Jornal i, 23 Abril 2015

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