Saltar para o conteúdo

Estudos e análises. Há algum lugar mais seguro que outro?

Há acidentes que resultam numa maior sobrevivência dos passageiros que estavam na parte da frente. Mas depois há outros que mostram o oposto e ainda os que mostram que no meio é que está a virtude. Em que ficamos?

lugares

Os acidentes de avião normalmente acabam ou com uma taxa de sobrevivência muito alta ou então muito baixa, não sendo comum ocorrerem acidentes em que estes valores acabem equilibrados. Apesar disso, a vasta quantidade de acidentes registados desde os primórdios da aviação civil, sobretudo desde a era do jacto, foi criando exemplos de casos que acabam por servir para distintas interpretações de padrões ou probabilidades. No caso em questão, temos acidentes em que a maioria dos passageiros sentados na parte da frente sobreviveu, ora outros em que os mais sortudos estavam sentados lá atrás.

Estes factos, associados a estudos contraditórios, tornam difícil saber ou apontar os lugares mais seguros dentro de um avião, com especialistas a defender que são os da frente e outros os de trás.

Em 2007, a “Popular Mechanics” analisou todos os acidentes com feridos e mortos nos Estados Unidos desde 1971. As conclusões da análise – primeira imagem de cabine, à direita deste texto – apontaram que a parte de trás da cabine, ou seja, depois das asas, seria o local mais seguro para se estar no caso de um acidente: a “Popular Mechanics” atribui uma taxa de sobrevivência de 69% em caso de acidente a esta secção. No total, a publicação analisou a fundo 20 acidentes, dividindo o desfecho por quatro partes do avião. Nas conclusões, a “Popular Mechanics” refere que em 11 dos acidentes os passageiros que estavam na parte traseira tiveram melhores hipóteses de sobrevivência – em sete destes 11 só houve sobreviventes na parte traseira do avião.

A análise depois dividiu em duas partes o meio do avião: por cima da asa e antes da asa. Nestas duas áreas as taxas de sobrevivência atribuídas pela “Popular Mechanics” foram de 56%, contra os 49% na primeira secção de passageiros, normalmente dedicadas à primeira classe ou executiva.

O trabalho da “PM” não é o único sobre a questão, havendo um outro que põe em xeque todas as conclusões anteriores. A Universidade de Green- wich também se debruçou sobre o tema, chegando a conclusões – segunda imagem de cabine, à direita deste texto – opostas.

A universidade analisou o resultado de 105 acidentes de aviação em todo o mundo e dividiu os lugares dos passageiros de forma distinta: o lugar mais seguro de todos, com uma taxa de sobrevivência de 65%, é precisamente aquele que se encontra logo no início do avião, próximo das saídas de emergência. Já para um passageiro sentado no final do avião, mas também perto de uma saída de emergência, a hipótese de sobreviver a um acidente foi calculada pelos académicos em 53%. A universidade dividiu ainda as probabilidades entre os lugares próximos das janelas e dos corredores, com vantagem para estes últimos: 58% contra 64%, respectivamente.

Os dois estudos, contraditórios, vão assim de encontro à posição oficial da indústria, de que é impossível prever ou responder de forma adequada à pergunta de qual o lugar mais seguro, até porque os acidentes são normalmente obra da conjugação de inúmeros factores imprevistos, e, logo, de resultados e desfechos igualmente imprevisíveis.

in: Jornal i, 4 Abril 2015

Ver também:

6 Comments »

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: