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Aviação. Pilotos-suicida e acidentes com um só sobrevivente

 Já houve doze pilotos-suicidas que levaram 581 vidas com eles

Em 1999 e em 2013 também houve quem aproveitasse uma ida do colega ao WC para fazer o pior possível

26 de Setembro de 1976, um piloto russo rouba um Antonov da Aeroflot, levanta voo e guia o avião até ao bloco de apartamentos onde vivia a ex-mulher: matou-se e levou mais 11 dos residentes, entre os quais não estava a recém-divorciada.

O piloto russo tornou-se desta forma o primeiro piloto-suicida de uma lista que terá 12 nomes, incluindo o co-piloto do Germanwings. Com estas 150 mortes nos Alpes, os pilotos-suicidas já terão reclamado 581 vidas ao longo dos anos, incluindo as suas. Vejamos alguns casos.

22 de Agosto de 1979. Naquele dia, um mecânico despedido entra num hangar do aeroporto de Bogotá e rouba um avião de transporte militar: guiou-o até uma área residencial e despenhou-se, levando consigo mais três vidas. Já em Fevereiro de 1982, um piloto japonês a voar sobre Tóquio desligou o piloto automático e fez descer o DC8 de forma repentina, apesar dos esforços do co-piloto. Morreram 24 dos 174 ocupantes e os relatórios de então atribuíram o acto a uma “aberração mental”.

31 de Outubro de 1999. O último dia de vida de 217 pessoas a bordo do B767 da EgyptAir. Meia hora depois de levantar de Los Angeles, o comandante foi à casa-de-banho e um minuto e meio depois o piloto automático é desligado e os comandos do primeiro oficial desligam os motores e direccionam o nariz do avião para baixo – enquanto a gravação mostra o mesmo a dizer “eu confio em Deus” várias vezes. O avião rapidamente entrou em queda abrupta e cada vez mais acelerada e nem o regresso do comandante ao cockpit permitiu evitar o desastre: este conseguiu inverter a descida mas para uma subida de tal forma pronunciada que perdeu a sustentação e caiu sem retorno.

29 Novembro de 2013. Um Embraer ERJ-190 das Linhas Aéreas de Moçambique a caminho de Luanda cai na Namíbia, reclamando as 33 vidas que levava a bordo. Minutos antes da queda, o co-piloto foi à casa-de-banho, momento em que o piloto aproveitou para reajustar a altitude, de 38 mil pés para 4,3 mil e depois para 592 pés, fazendo o mesmo com a velocidade. “Problemas no matrimónio” e a morte recente de um filho foram apontadas como as causas deste acto.

Acidentes com um sobrevivente. Há 23 destes casos mas por vezes são o início de uma tragédia maior

Sem grandes meios termos em relação a sobreviventes, ou morrem quase todos ou sobrevivem quase todos, os 23 acidentes da aviação comercial que tiveram apenas um sobrevivente envolvem na sua grande maioria voos com 100 ou menos passageiros. Os sete primeiros casos deste género que se conhecem entram todos nesta categoria.

Segundo a Airsafe.com, o primeiro acidente com um único sobrevivente ocorreu a 9 de Agosto de 1970, dia em que um Lockheed L-188 perdeu um motor na descolagem de Cuzco, Peru, despenhando-se quando tentava regressar à pista: morreram duas pessoas que estavam no solo e 99 dos 100 ocupantes do avião. Juan Loo foi o único sobrevivente deste voo. Cerca de um ano e meio depois, um outro L-188 das Linhas Aéreas Nacionais do Peru incendia-se depois de ser atingido por um trovão, perdendo a asa direita e parte da esquerda: 91 dos 92 passageiros morrem. Juliane Koepcke, então com 17 anos, sobrevive não só à queda como a 10 dias perdida em plena selva até ser encontrada pelas equipas de resgate.

É já em 1987 que encontramos o primeiro destes casos envolvendo mais de 100 passageiros. Um MD82 da Northwest ia ligar Detroit a Phoenix mas a tripulação esqueceu-se de colocar os flaps em modo de descolagem o que coincidiu com o facto do alarme respectivo estar avariado. Deste modo, o avião não conseguiu levantar voo antes do fim da pista e acabou por bater em vários postes de iluminação até se imobilizar: 154 dos 155 ocupantes morreram. Sobreviveu uma criança de quatro anos. Já a mãe, o pai e o irmão da sobrevivente morreram todos.

Foi na Rússia que ocorreu o último destes casos, no acidente de Setembro de 2011 onde morreu a equipa e o staff do Lokomotiv Yaroslav, do campeonato russo de hóquei no gelo, a caminho do jogo inicial da temporada de 2011/12. Também aqui o Yak-42D não conseguiu levantar voo antes do final da pista e arrastou consigo 44 das 45 vidas que levava a bordo. Inicialmente sobreviveram duas pessoas mas uma delas acabou por falecer no hospital.

in: Jornal i, 4 Abril 2015

Ver também:

Segurança aérea. A morte de centenas salva a vida a milhões. Mas nem sempre

Mais mortífero. Quando dois 747 chocam num aeroporto regional

100.º mais mortífero. A noite do pior pesadelo da TAP e dos madeirenses

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