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CE. Recuperação portuguesa só com mais procura interna

Bruxelas mostra que pós-troika será igual ao pré-troika: consumo privado a sustentar a economia

A recuperação da economia portuguesa até 2016 vai depender do mesmo de sempre: o consumo privado. A mudança de perfil do país continua assim por acontecer, apesar de ser um dos maiores objectivos que o actual executivo se propôs.

A Comissão Europeia (CE) actualizou ontem as previsões económicas para 2015-16 (págs. 2/3), avançando no caso português com a estimativa de um défice de 3,2% este ano, acima da meta do executivo, mas revista em ligeira baixa – a CE antes previa 3,3% de défice. A justificar a revisão em baixa está a execução orçamental de 2014, melhor que a esperada. Este facto, associado à melhoria nos juros sobre a dívida pública, levam Bruxelas a prever igualmente um crescimento do PIB superior ao estimado para 2015: a CE prevê um salto de 1,6% do PIB, valor que compara com a previsão de 1,5% do governo.

Segundo os valores de Bruxelas para a economia portuguesa em 2015 e 2016, a recuperação, ainda que incipiente, continuará assente no consumo privado, tal como ocorreu em todo o período de 1995-2010, mostram os dados da CE.

Em 2015 e 2016, Bruxelas prevê que o PIB português cresça 1,6% e 1,7%, respectivamente. Mas este não será o crescimento que se queria no pós-troika: o PIB só cresce graças à procura interna, cujas subidas de 1,6% e 1,4% em 2015 e 2016 serão quase os únicos estímulos à economia. Já a procura externa continuará incipiente: mais 0,1% e 0,3% respectivamente. O perfil da economia portuguesa continua assim igual ao pré-troika: entre 1995 e 2010, o crescimento médio anual de 1,9% do PIB ocorreu estimulado apenas por um crescimento anual de 2,3% na procura interna.

Já aquando do orçamento rectificativo de Agosto de 2014 se notava este desfasamento entre o que o governo pretendia e o que conseguiu com o ajustamento: o executivo começou por prever para 2014 um salto do PIB de 0,8% graças a -0,3% de procura interna e mais 1,1% de externa. Acabou a prever um 2014 em que o PIB cresce 1% graças a 1,1% de procura interna e -0,1% de externa.

in: Jornal i, 6 Fevereiro 2015

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