Se nestes cinco anos a empresa gastou um total de 6,8 milhões em rescisões/cessações de contratos, só em 2015 a transportadora estima gastar sete milhões a reduzir o quadro de pessoal. Olhando para o corrente ano, os valores para 2015 representam uma subida de 180%: para 2014 a Metro colocou de lado 2,5 milhões para despedimentos, segundo o OE2014, verba que para 2015 sobe até aos sete milhões, já segundo os quadros referentes à empresa presentes na proposta deOrçamento do Estado para 2015.
Entre 2010 e 2013, data do último exercício completo desta transportadora lisboeta, o quadro de pessoal activo da empresa recuou 13,2%, de 1672 trabalhadores para 1450. O ano da dieta mais agressiva coincidiu com a chegada da troika e do novo governo PSD/CDS, com a Metro a emagrecer os quadros em 82 pessoas na parte final de 2011. Nesse ano, e segundo os relatórios e contas desta empresa pública, foram gastos 660 mil euros em rescisões – para um custo médio de oito mil euros por trabalhador dispensado. Nos anos seguintes o custo por rescisão foi sempre a subir, com os 65 trabalhadores que perderam o emprego na Metro em 2012 a custarem 10,1 mil euros cada – custo total de 660 mil euros. No ano passado os custos dispararam:foram cortados 74 postos de trabalho, o que implicou uma despesa total de 2,9 milhões de euros com indemnizações – mais de 40 mil euros por cada rescisão/cessação. Para 2014 ainda não existem números oficiais, nem a Metro quis avançar detalhes ao i. Já sobre quantos trabalhadores estão em risco de perder o emprego no próximo ano, a empresa também nada adiantou. “O Orçamento do Estado ainda não está aprovado pelo que consideramos prematuro fazer comentários sobre o orçamento da Metropolitano de Lisboa, que se insere no Orçamento do Estado”, disse a empresa em resposta às perguntas do i.
Além do alargamento do orçamento para rescisões na Metro, e em termos de pessoal, a empresa pública conta no próximo ano poupar 32% no pagamento de horas extra – de 175 mil para 119 mil euros –, reduzindo também as verbas para subsídios como os de prevenção, trabalho nocturno e de turno, que caem 8%, 10% e 12%, respectivamente, para uma poupança global de 213 mil euros. AMetro de Lisboa vai ainda cortar nas despesas com outro tipo de encargos, como a vigilância e segurança e a limpeza e higiene (ver texto ao lado).
Venda de património Em 2015 o governo inscreveu no OE que vai avançar a “concessão da operação de algumas empresas de transportes à iniciativa privada” em 2015, usando este argumento para justificar os cortes nas indemnizações compensatórias das empresas públicas. Mas não vão ser os privados a suprir as necessidades financeiras da Metro de Lisboa, sendo isso que se conclui pelo plano de venda de edifícios que a transportadora conta avançar no próximo ano para aumentar as receitas próprias.
Segundo os mapas que acompanham a proposta de Orçamento do Estado para 2015, a Metro deLisboa vai avançar com a venda de parte do seu património no próximo ano, contando encaixar 12,75 milhões de euros com a venda de edifícios, incluindo pelo menos a sua sede executiva, na Av. Barbosa du Bocage. A empresa não quis adiantar ao i pormenores sobre os bens a vender, justificando no entanto a redução de algumas despesas no próximo ano com o facto da Metro deLisboa “ter diminuído as instalações dos seus serviços centrais, concentrando muitos dos seus serviços”, referindo-se às poupanças previstas em termos de despesas com segurança e vigilância.
Segundo o relatório que acompanha o OE2015, a Metro de Lisboa vai ser a empresa pública mais castigada em termos de indemnizações compensatórias, passando de um encaixe de 32 milhões de euros para apenas dois milhões (-94%), de 2014 para 2015. Esta evolução justificará, mesmo que em parte, a necessidade de avançar com alienações.
in: Jornal i, 10 Novembro 2014