Portugal voltou aos 689 mil desempregados de Setembro de 2011. Mas hoje há menos emprego e mais subemprego
A economia portuguesa chegou ao final do terceiro trimestre com 689 mil desempregados, segundo dados avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número representa uma taxa de desemprego de 13,1%, que compara com os 13,9% do trimestre anterior e os 15,5% do terceiro trimestre de 2013.
Mais do que olhar para as taxas, dos dados de ontem é de salientar o facto de estes mostrarem que o total de desempregados em Portugal em Setembro de 2014 coincide com o desemprego que Portugal registava à entrada da troika no país: no final de Setembro de 2011, o desemprego penalizava 689,6 mil trabalhadores em Portugal. O valor oficializado ontem é, assim, uma espécie de regresso à estaca zero, isto se olharmos apenas para o total de desempregados, já que em termos de composição do mercado laboral, e apesar daquela coincidência, algo mudou desde 2011. A começar pela taxa: com os mesmos 689 mil desempregados, a taxa de desemprego é hoje de 13,1% contra os 12,4% que 689 mil desempregados representavam em 2011. Culpa da fuga de activos do país.
Desde a entrada da troika e até o final do terceiro trimestre deste ano, a população activa registada em Portugal recuou em 289,4 mil pessoas, 60 mil dos quais desapareceram das faixas etárias mais novas – eram 460 mil activos entre os 15 e os 24 anos, hoje são 401 mil.
Além do recuo na população activa total, que caiu 5,2% desde o terceiro trimestre de 2011, também o total de empregos que a economia portuguesa absorve mudou nos últimos três anos: em Setembro último, e segundo o INE, havia 232,1 mil trabalhadores em situação de subemprego, um aumento de 10,4% face a Setembro de 2011, quando o subemprego era a solução possível para 210 mil pessoas em Portugal. O valor ontem oficializado, porém, implica um recuo face ao pico do subemprego – 266,5 mil casos registados em Junho de 2013.
Há hoje igualmente menos 5,9% de empregos na economia do que existiam em 2011, quando 4,85 milhões de pessoas tinham emprego, contra os 4,56 milhões actuais – menos 288,6 mil empregos. Assim, no terceiro trimestre de 2011, 87,6% da população activa tinha emprego e hoje a taxa está nos 86,9%.
Um outro factor a ter em atenção na evolução do mercado laboral, prende-se com o tipo de emprego existente. Segundo os dados do INE para o terceiro trimestre deste ano, Portugal continua abaixo dos quatro milhões de empregos a tempo completo – são 3,9 milhões, que comparam com 4,21 milhões em Setembro de 2011. Ainda na análise ao tipo de emprego, contam-se agora 595,5 mil trabalhadores a tempo parcial, valor que apesar de inferior ao de Setembro de 2011 (eram 639 mil), mantém o mesmo peso no total de emprego que naquele ano: 13% do emprego é a tempo parcial, em 2014 tal como era em 2011.
Já se juntarmos as situações de subemprego às situações de emprego parcial, conclui-se que estas situações, que eram responsáveis por 17,5% do emprego total em 2011, representam hoje 18,1% do total.
in: Jornal i, 6 Novembro 2014
