No final de Agosto havia 11 939 casais em Portugal Continental onde ambos os membros, casados ou em união de facto, não tinham emprego, uma subida de 3,9% face ao total de casais nesta situação que existiam no final de Julho, ou seja, mais 445 casais. Agosto foi assim o segundo mês consecutivo de subida no total de casais desempregados, depois de em Julho o total ter crescido 0,1%, interrompendo um ciclo de cinco meses consecutivos de recuperação.
Apesar da evolução em sentido ascendente em termos mensais, certo é que as descidas registadas entre Fevereiro e Junho de 2014 permitem que a comparação com os mesmos meses de 2013 continuem positivas. Os 11 939 casais desempregados registados pelo IEFP no final de Agosto deste ano representam menos 4,4% de casais nestas condições do que em Agosto de 2013.
“O número de casais em que ambos os cônjuges estão registados como desempregados foi, no final de Agosto de 2014, de 11 939, -4,4% (-552 casais) que no mês homólogo e 3,9% (+445 casais) que no mês anterior”, refere o IEFP no seu boletim mensal, onde ainda dá conta que o aumento mensal do desemprego em Agosto foi generalizado a todos os estados civis. No final do mês passado havia mais 3% de solteiros sem emprego face a Julho (para um total de 223,8 mil), mais 1,9% de divorciados (62,3 mil) e mais 0,5% de viúvos (10 mil). “O desemprego registado nos Centros de Emprego do Continente diminuiu 10,6% face ao período homólogo e cresceu 2,1% em relação ao mês anterior.” No total, e no final de Agosto, havia mais 12,5 mil desempregados inscritos nos centros de emprego do que em Julho.
O desemprego global continua a comparar positivamente com os meses de 2013, mas nota-se mais uma vez um contributo da sazonalidade para os valores oficiais do desemprego – a descida homóloga mais significativa em termos regionais foi sentida no Algarve, onde o desemprego caiu 19,5% face ao mesmo mês do ano passado.
Tem sido norma desde 2011 registar-se um aumento no desemprego na recta final de cada ano, com 2014 a prometer não fugir à regra: apesar da comparação homóloga continuar positiva em termos mensais Agosto foi já de subida do desemprego registado no IEFP, que ameaça cada vez mais voltar aos níveis de 2012, isto depois de ter caído abaixo dos números daquele ano em Maio último.
in: Jornal i, 22 Setembro 2014
Dadas as mudanças de critério quase constantes que são aplicadas à medição do desemprego os números oficiais valem o que valem… pouco.
Seria também talvez interessante ter alguma estatística indicadora da “qualidade” do emprego… é que o posto trabalho destruído e o que é criado regra geral não são em nada similares mesmo quando se trata da mesma posição hierárquica e até dentro da mesma empresa.