TIM. Oi vai fugir para a frente apesar das dívidas. Mercados aplaudem

Com uma dívida de 15,4 mil milhões de euros às costas, empresa que absorveu PT procura agora comprar operadora de 9 mil milhões

A um passo de ver aprovada a transferência dos activos da Portugal Telecom para o Brasil, a Oi, inundada de 46,3 mil milhões de reais de dívida líquida (15,4 mil milhões de euros), procura agora a fuga em frente: assegurar ainda mais activos para tentar inverter a situação, cada vez mais longe do pódio das comunicações no Brasil.

O objectivo agora é a TIM, segunda maior operadora brasileira, avaliada em mais de 9 mil milhões de euros. A Oi é hoje liderada por Zeinal Bava, o antigo CEO da Portugal Telecom que liderou o processo de convencer os accionistas da PT a aceitar a absorção pela Oi, ficando com a presidência desta última pelo caminho – isto apesar do escândalo das centenas de milhões perdidos com a família Espírito Santo pelo meio, até porque foram pagos pelos accionistas da PT, que nem 27% da da Oi vão ter quando lhes venderam que iam ter 37%.

Ontem a operadora brasileira foi rápida a confirmar as notícias que davam conta do interesse na TIM, detida em 67% pela Telecom Itália. A Oi confirmou que contratou o banco BTG Pactual “para, agindo em seu próprio nome e por conta e ordem da Oi, desenvolver alternativas para viabilizar proposta para a aquisição da participação detida indirectamente pela Telecom Italia na TIM Participações”, refere o comunicado. Primeiro impacto? As acções da Oi e da PT dispararam, apesar de se tratar de uma operação que pode trazer ainda mais dívida para a Oi. O título da brasileira disparou 17% desde terça-feira e as da Portugal Telecom mais de 6% só na sessão de ontem da bolsa.

A Oi estará interessada apenas na fatia da TIM nas mãos dos italianos, ou seja, 67% do capital, que a preços de mercado rondam os 6,1 mil milhões de euros mas que um prémio de controlo associado vai levar a operação para valores mais elevados. A telecom brasileira, que herdou os activos da PT e Zeinal Bava, não deu mais pormenores da operação que pode estar a ser delineada, acrescentando apenas que vai cumprir “as regras e restrições previstas na lei”, e prometendo manter “os accionistas e o mercado informados sobre qualquer evento relevante relacionado”.

A luta pelo sector Este forcing financeiro que a Oi parece disponível a tentar para assegurar a TIM poderá também ser a única solução que a administração da empresa vislumbra à sua frente para ainda conseguir algo do mercado brasileiro. Condenada à quarta posição do sector móvel – a 19 milhões de clientes do terceiro operador e a quase 30 milhões da Vivo, a líder -, a Oi não tem conseguido inverter a tendência de perda de quota em que caiu desde 2009, passando de 20,7% para 18,5% em Julho último. No segundo trimestre deste ano a operadora registou perdas de 73 milhões de euros e agora, confrontada com a compra da GVT pela Telefónica ou pela Telecom Italia, está a ponderar avançar também com aquisições para dar sinais de vida e não perder a corrida (ou o pé) pelos cerca de 350 milhões de acessos (fixo, móvel e banda larga) que o mercado brasileiro hoje representa.

in: Jornal i, 28 Agosto 2014