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Dívida. Famílias ajustam, Estado e grandes empresas não

Grandes empresas privadas continuam a absorver maioria do crédito. São apenas mil mas acumulam dívidas equivalentes a 53% do PIB

As administrações públicas e as grandes empresas não estão a quebrar o ciclo de contrair dívidas atrás de dívidas, anulando o esforço com que famílias e empresas de menor dimensão têm avançado desde a chegada da troika – mesmo que à força.

O Banco de Portugal actualizou ontem os valores do endividamento da economia portuguesa em Junho deste ano, altura em que famílias, Estado e empresas acumulavam 740,5 mil milhões de endividamento, 444,3% do produto interno bruto (PIB), um valor quase inalterado face ao conhecido de Março. Já em relação ao pré-troika, o caso é diferente: a dívida total da economia em Dezembro de 2010 era de 402,1% do PIB, menos 45 mil milhões que hoje.

A dívida total da economia tem, no entanto, tomado diferentes caminhos, conforme se trate do Estado e das grandes empresas privadas ou das famílias e do tecido empresarial pequeno e médio. Se estes últimos têm estado em constante ajustamento, os primeiros continuam a aumentar o endividamento e a factura de juros pagos à banca.

Famílias: menos 20 mil milhões Desde 2010, os particulares reduziram as suas dívidas em 20 mil milhões, detendo em Junho menos de 158 mil milhões de euros em créditos. Com este ajustamento, as famílias são agora responsáveis por créditos inferiores a 95% do PIB, tendo desde 2010 passado de uma dívida de 121% do rendimento disponível para 114%.

Caminho idêntico foi percorrido pelas cerca de 400 mil empresas – micro, pequenas ou médias -, que desde 2010 reduziram as dívidas em mais de 23 mil milhões, detendo agora um nível de endividamento inferior a 100% do PIB. Assim, as famílias e as empresas de dimensão mais reduzida conseguiram entre 2010 e 2014 reduzir as dívidas em 44 mil milhões. Se considerarmos apenas a evolução neste ano, vemos que ambos continuam a ajustar, cortando mais 6,7 mil milhões às dívidas desde Janeiro – 2,3 mil milhões dos quais pelas famílias.

Estado e grandes empresas Apesar do ajustamento de famílias e da grande maioria das empresas, certo é que a dívida do país cresceu no período em análise – mais 45 mil milhões desde 2010 e mais 2,5 mil milhões só em 2014. Isto ocorre porque, diz o BdP, as administrações públicas acumularam mais 65 mil milhões de dívida desde 2010 e as grandes empresas mais 12 mil milhões. No caso do Estado, a dívida pública na óptica de Maastricht chegou a Junho em 134% do PIB, quando em Março era de 132,8%. Já no final de 2010 a dívida era de 94% do PIB.

Quanto às grandes empresas – mais de 250 empregados -, o ajustamento é coisa que não lhes assiste: desde 2010, este conjunto empresarial passou de uma dívida de 44% do PIB para a fasquia actual, de 53,3% do PIB. Já desde o início de 2014, a dívida total destas empresas até caiu 217 milhões, mas foi sol de pouca dura: os empréstimos caíram nos primeiros três meses do ano e de Março para Junho voltaram a subir em mais 2,4 mil milhões.

in: Jornal i, 22 Agosto 2014

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