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Saldo comercial alemão cresce 30% desde 2011. Portugal vê ciclo inverter

Até ao final de Maio, balança comercial portuguesa voltou a piorar, invertendo ciclo de recuperação iniciada desde os anos de Sócrates

O crescimento do excedente comercial alemão nos anos de crise tem sido visto como um dos factores que mais têm desequilibrado a Europa, algo já várias vezes criticado, a última das quais ainda este fim-de-semana por Laszlo Andor, comissário europeu para o Emprego.

“O aumento dos salários foi mais baixo que o aumento da produtividade na Alemanha” durante mais de uma década, afirmou Andor. “Seria melhor se os salários subissem ao mesmo nível que a produtividade”, pediu, citado pelo “Die Welt”.

Ontem o Eurostat divulgou dados que confirmam a tendência de centralização de recursos por parte de Berlim, que nos primeiros cinco meses do ano conseguiu um excedente de 84 mil milhões de euros, mais 30% que o registo com que contava entre Janeiro e Maio de 2011. O crescimento tem sido gradual, já que a economia alemã conseguiu excedentes de 65,8 mil milhões, 74,7 mil milhões, 81,1 milhões e 84 mil milhões entre 2011 e 2014, respectivamente – valores apurados para os primeiros cinco meses de cada ano.

A melhoria dos números do comércio alemão com o exterior tem surgido graças a um crescimento das exportações, que subiram 30 mil milhões de euros entre 2011 e 2014, tendo a Alemanha no mesmo período conseguido conter o seu nível de importações, que apenas cresceu 10 mil milhões de euros. A contenção da subida das importações alemãs tem passado factura à restante economia europeia, não só porque reduz as vendas dos outros países, mas também porque o governo alemão tem apostado na contenção salarial, de forma a amealhar mais ganhos para si durante os anos de crise.

Comparando os números alemães com os da restante Europa, conclui-se que a UE, sem os números alemães, registou nos primeiros cinco meses deste ano um défice comercial de 41 mil milhões de euros, que compara com o ganho de 84 mil milhões dos alemães. Mas a economia europeia já esteve igualmente a melhorar lentamente os seus números, tendo este ano entrado novamente em perda: de 2011 para 2013, o défice comercial da UE sem a Alemanha caiu de 112 mil milhões para 23 mil milhões, valor que todavia quase duplicou entre Janeiro e Maio deste ano, com o défice comercial a subir para 41 mil milhões.

Portugal também a piorar Depois de alguns anos em lenta melhoria, 2014 não está a trazer boas notícias para o comércio internacional português.

O saldo comercial apurado nos primeiros cinco meses deste ano foi de -3,9 mil milhões de euros, valor que representa um regresso à deterioração da posição portuguesa no comércio com o exterior. No mesmo período mas em 2011, Portugal contava com um défice comercial de 7,6 mil milhões de euros que foi caindo até aos 2 mil milhões registados entre Janeiro e Maio do ano passado. Este ano o défice voltou a subir para os tais 3,9 mil milhões de euros.

A justificar a degradação dos números portugueses está a evolução das importações – subiram 7,8% até Maio -, mas também a quebra deste ano nas exportações, com -1%.

in: Jornal i, 19 Agosto 2014

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