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“Retoma.” Malparado no crédito à habitação chega a números nunca vistos

A recuperação económica que o governo tantas vezes já anunciou como facto provado continua bem longe de chegar às famílias   

O montante total de crédito concedido a particulares e considerado malparado está acima dos 5 mil milhões de euros desde o final de Outubro de 2012, continuando lenta mas gradualmente a aumentar, ainda que com evoluções distintas, dependendo do fim dos créditos concedidos pela banca. No crédito à habitação, por exemplo, o mês de Junho bateu números nunca vistos no malparado, com 2,4% do crédito total concedido para aquele fim pela banca a cair naquela definição.

Segundo dados do Banco de Portugal, no final de Junho deste ano existiam 5,2 mil milhões de euros de malparado cedido a particulares, a maioria dos quais relativos a empréstimos à habitação, responsável por uma fatia de 47,7% do total do malparado – quase 2,5 mil milhões de euros. Este peso relativo do crédito para habitação está ainda longe dos picos registados em 2005 e de 2008. Neste último ano, o pico foi provocado pela alta dos juros de referência, que levou a habitação a ser responsável por 57,3% do malparado, ainda que o total deste crédito de cobrança duvidosa fosse naquela altura bem inferior ao actual: no início de 2008 os créditos malparados totais nas mãos de particulares estavam nos 2,2 mil milhões, mas já numa rota ascendente que se prolonga até hoje. Desde o início de 2008 o malparado tem subido a um ritmo mensal médio de 1,1%, tendo mais do que duplicado de 2,2 mil milhões para os actuais 5,2 mil milhões de euros, um salto de 129%.

Olhando apenas para o período desde que o total de créditos de cobrança duvidosa superaram a fasquia dos cinco mil milhões de euros, ou 3% do produto interno bruto, vemos que é no crédito ao consumo que mais tem sido combatido o malparado: entre Outubro de 2012 e Junho deste ano, o total de créditos ao consumo em risco caíram 13,5%, de 1,58 mil milhões de euros para 1,33 mil milhões de euros. Já na habitação deu-se o inverso, com uma subida de 11,6% de malparado nos mesmos 20 meses, um salto que significa uma subida de 260 milhões de euros no total de malparado nos créditos à habitação concedidos.

Já nos créditos para outros fins, estes também estão a cair cada vez mais em incumprimento, com o total de malparado a crescer 10,5% desde Outubro de 2012, chegando em Junho de 2014 aos 1,4 mil milhões de euros, isto quando em 2011 nem aos mil milhões chegava.

Segundo o Banco de Portugal, e em termos totais, em Junho o malparado representava 4,15% do total dos créditos a particulares, o segundo valor mais alto, superado apenas em Maio de 2014: 4,17%.

banca à rasca, pagam os de sempre Apesar dos milhares de milhões dos contribuintes empatados pelo governo no sector bancário, este continua a estrangular a cedência de crédito, preferindo por exemplo alimentar os mercados dos produtos de alto risco sem qualquer efeito reprodutor na economia. É preciso recuar a Fevereiro de 2012 para encontrar um mês em que o total de créditos concedidos a particulares cresceu. Desde então foi sempre a cortar: o crédito cedido caiu 13,6 mil milhões de euros até Junho deste ano – com especial incidência na habitação, que recuou 9,3 mil milhões desde Fevereiro de 2012, aos quais se junta o corte de 2,9 mil milhões nos créditos ao consumo e de 1,3 mil milhões nos créditos para outros fins.

in: Jornal i, 13 Agosto 2014

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