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Henrique Granadeiro demite-se da PT empurrado pela comissão executiva

Enquanto Zeinal Bava já lidera nova operadora brasileira no Brasil, incluindo os activos absorvidos à PT, Henrique Granadeiro paga a fava

Henrique Granadeiro apresentou ontem a demissão de presidente da administração da Portugal Telecom e da comissão executiva da empresa. Culpa do buraco de 897 milhões de euros que a família Espírito Santo provocou à PT. A demissão surgiu depois de a comissão executiva da a ter sugerido: “Entendo que devo renunciar […] seguindo a recomendação da comissão executiva da PT”, diz o próprio Granadeiro na carta de renúncia, a que o i teve acesso.

Segundo explica o gestor, só não renunciou antes porque quis que tanto o calote da Rioforte como a entrega dos activos da PT à brasileira Oi estivessem devidamente reorganizados. O ex-líder da PT optou assim por “salvar o projecto de fusão e garantir as condições de igualdade na condução da futura empresa resultante da integração”, leia-se a mudança de mãos dos activos portugueses da Portugal Telecom para os accionistas e administradores da Oi.

“Com a aprovação pelo conselho de administração dos documentos a submeter à deliberação dos accionistas que asseguram esses objectivos, considero cumprido esse dever e por isso renunciei sem condições aos cargos que exercia na Portugal Telecom”, explica. A carta foi apresentada esta quinta-feira na reunião do conselho de administração da PT que em comunicado diz que a aplicação de tesouraria na Rioforte não foi aprovada nem discutida na comissão executiva e no conselho de administração.

Sobre a incapacidade do Grupo Espírito Santo pagar as suas dívidas, Henrique Granadeiro assegura que foi “surpreendido” com o incumprimento “generalizado” da família para com a PT. Ainda assim, decidiu nessa altura “assumir o encargo de evitar ou minorar as consequências do default na esfera patrimonial da PT e na continuidade do processo de fusão com a Oi já na sua fase final”. Graças ao buraco que o investimento no GES deixou na PT, a posição portuguesa na Oi ficou reduzida a cerca de 10% – isto quando o negócio foi vendido pela lógica de se criar uma mega operadora luso-brasileira. O novo acordo será votado pelos accionistas da PT a 8 de Setembro.

“Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros”, salienta ainda Henrique Granadeiro na carta de demissão. O gestor confia que a auditoria (da PriceWaterhouseCoopers) às aplicações no GES “evidenciará os processos e as causas do incidente e demonstrará que sempre agi no melhor interesse da PT, dos seus colaboradores e de todos os accionistas”. .

Se por um lado, Granadeiro apresenta a demissão, por outro lado, Zeinal Bava já está a liderar a operadora brasileira que ficou com os activos da PT. Bava, que sempre acompanhou os empréstimos da PT ao BES, como CFO ou CEO, fez questão de se afastar de tudo isto, tendo garantido aos seus novos patrões brasileiros que nada sabia.

in: Jornal i, 8 Agosto 2014

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