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PT/GES. Zeinal Bava abandona PT à sua sorte e diz que não sabia

CMVM já estará a investigar decisão da Portugal Telecom de ceder 900 milhões ao grupo Espírito Santo

Zeinal Bava, o maior responsável pela absorção da Portugal Telecom pela brasileira Oi, ao ponto de hoje ser o presidente da empresa brasileira, foi rápido a sacudir a água do capote do escândalo dos empréstimos da PT à família Espírito Santo. Bava reuniu com os accionistas da empresa brasileira para demarcar-se destes empréstimos da Portugal Telecom. Os accionistas brasileiros aceitaram a posição do gestor, até porque o tempo é de conter perdas.

Zeinal Bava foi presidente da PT Multimédia até esta ser oferecida aos accionistas para chumbar a oferta da Sonaecom pela PT, com o gestor a trocar aquela cadeira pela presidência da Portugal Telecom em 2008. Na liderança da PT foi avançando com o processo de absorção dos activos da operadora portuguesa pela Oi, tendo depois trocado novamente de cadeira, agora para a liderança da brasileira. Agora, a hora é de demarcar-se dos “investimentos” da PT no GES, tendo assegurado já o apoio dos accionistas da Oi, que procuram isolar-se do contágio.

A “quarentena” a Zeinal Bava não começou ontem, foi bem antes. Logo a 2 de Julho, aquando da demissão dos administradores da Oi nomeados para a PT, estes fizeram saber que Bava não sabia de nada, dando logo a entender que o gestor passaria incólume neste processo. Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, quando explicou as razões para a sua demissão da PT, foi igualmente rápido a assegurar que a decisão não passou por Bava, segundo escreveu então o Telesíntese, portal de telecomunicações do Brasil.

Ontem, lia-se também, na “Veja” que Bava reuniu igualmente com a La Fonte, outro accionista da Oi, tendo “jurado que não sabia” dos quase 900 milhões de euros cedidos pela PT à Rioforte, um dos ramos da kafkiana estrutura empresarial da família Espírito Santo. O presidente da Oi assegurou que apenas tinha conhecimento de “um investimento de 200 milhões” da PT no GES. Também ontem os reguladores portugueses deram sinais de vida e, segundo o “Expresso Diário”, a CMVM, regulador da bolsa, começou uma investigação a todo à obscuridade destes negócios PT/Espírito Santo.

sindicatos Se a empresa tem 900 milhões de euros para a “fogueira” Espírito Santo, como é possível justificar cortes no plano de saúde dos seus trabalhadores por falta de dinheiro? A pergunta foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom, que solicitaram uma reunião com “carácter de urgência” com o presidente da PT, Henrique Granadeiro.

Para o sindicato dos trabalhadores da PT, a atitude da operadora significa que “a riqueza gerada com trabalho, empenho, dedicação e até grande disponibilidade” dos trabalhadores, serviu para alimentar os Espírito Santo.

in: Jornal i, 10 Julho 2014

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