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Homens de confiança do governo e de Cavaco à frente do BES

Esteve para ser ministro de Passos Coelho e é conselheiro de Estado de Cavaco Silva. Favorável ao caminho da austeridade, Bento foi o nome encontrado para salvar o BES

O Espírito Santo Financial Group e o Crédit Agricole, maiores accionistas do Banco Espírito Santo (BES), com cerca de 40% do capital, encontraram em Vítor Bento a personalidade de que precisavam para tomar as rédeas do banco. Onome já terá sido partilhado com o Banco de Portugal, que o terá visto com bons olhos, sendo de esperar que o actual presidente da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) entre em funções no BES já na próxima semana.

A opção por Vítor Bento surge depois de o supervisor bancário ter proibido os accionistas do BES de nomear uma nova administração com elementos da família Espírito Santo, que desde sempre dominam a instituição de capital aberto. O nome de Vítor Bento foi inicialmente avançado pelo “Público”, sendo posteriormente confirmado por vários outros meios.

Apesar de o governo ter reafirmado insistentemente que não iria imiscuir-se nos assuntos deste banco privado, certo é que a chegada de Vítor Bento pressupõe um reforço da “PSDização” do banco. Além de Vítor Bento, apreciado por Cavaco Silva e Passos Coelho – o primeiro nomeou-o para o Conselho do Estado, o segundo queria-o como ministro em vez de Vítor Gaspar –, há ainda a proposta para que Paulo Mota Pinto seja chairman do BES. Mota Pinto é deputado e ex-vice-presidente do partido de Passos Coelho.

Outro nome que reforça a lógica de“PSDização” do BES é o de João MoreiraRato, nomeado pelo Ministério das Finanças em Abril de 2012 para liderar o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP). Segundo avançava ontem a SIC, Moreira Rato, ex-Morgan Stanley, é o trabalhador que Vítor Bento quer como responsável financeiro do BES.

Perfil: economista filósofo A julgar pelas últimas posições públicas tomadas por Vítor Bento, o economista está próximo das posições mais veiculadas pelos círculos governativos. Ainda esta semana, como conselheiro de Estado, defendeu que a dívida portuguesa deve ser paga na íntegra. Já em relação à vida dos portugueses, também não tem tido problemas em reiterar a ideia de que todos“viveram acima das suas possibilidades” – uma ideia que convém não afastar do facto de o salário médio em Portugal estar 50% abaixo da média da União Europeia. De salientar ainda que Vítor Bento foi dos poucos que defenderam a subida da TSU de Setembro de 2012 – medida que pressupunha que os trabalhadores deviam financiar ainda mais as empresas, mas que acabou por não avançar.

Também o Constitucional já esteve na sua mira, com Vítor Bento a salientar numa das suas intervenções públicas que Portugal se tornou, “face à comunidade internacional, claramente uma aldeia gaulesa”. Porquê?“Temos vários países em processo de ajustamento, alguns muito mais violentos do que o nosso, no caso da Grécia e da Letónia, e em nenhum ouvimos que tenha havido problemas de constitucionalidade, portanto é óbvio que temos aqui um comportamento de aldeia gaulesa.” De relembrar, porém, que esta tal aldeia gaulesa era a única que se conseguia defender de sucessivas invasões romanas.

Esta sintonia com o governo não é, porém, total, já que Vítor Bento também tem salientado que o PSD/CDS não tem atacado as rendas excessivas, nem promovido a concorrência. O ainda presidente da SIBS também não consegue considerar o programa de ajustamento um sucesso retumbante, sobretudo por este programa ter mantido o país com uma taxa de desemprego demasiado elevada.

Licenciado em Economia em 1978, Vítor Bento já foi presidente do Instituto que gere a Dívida Pública e director-geral do Tesouro. Se actualmente está na empresa que gere a rede Multibanco, no universo empresarial também já passou pela Unicre ou pela PT Prime, contando ainda com uma passagem pelo Banco de Portugal. Apesar de ser sobretudo reconhecido pela sua faceta de economista, não foi só por esta área que Bento desenvolveu uma especial apetência, contando ainda com um mestrado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, já em 2003.

Natural de Estremoz e já com 60 anos, Vítor Bento recebeu a Ordem do Infante D. Henrique em 2005.

in: Jornal i, 5 Julho 2014

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