“Precisamos de determinar se este acontecimento pode afectar o timing e termos da fusão com a PT e se há potencial adicional de risco no governo corporativo devido a estes desenvolvimentos”, diz a agência
O contágio da crise provocada pelo GESgate já entrou nos radares das agências de rating. A Standard&Poor’s comunicou hoje, 4 de Julho, que decidiu colocar a avaliação de risco da Oi em “vigilância negativa”, culpa dos 897 milhões de euros que a Portugal Telecom decidiu ceder ao império Espírito Santo – donos de 10% da própria PT. O rating da Oi está hoje em ‘BBB-‘.
A S&P justificou a decisão por ter muitas dúvidas que o GES pague o que deve à PT. Segundo o comunicado da S&P, citado pelo “Económico”, “o Grupo Espírito Santo pode estar a enfrentar debilidades financeiras e, como consequência, acreditamos que há uma possibilidade da PT perder estes investimentos”, refere a S&P sobre o investimento da PT em papel comercial da Rioforte, do GES. Em causa estão dois financiamentos cuja maturidade é atingida a 15 e 17 de Julho próximos.
“Vamos avaliar o potencial de perdas destes investimentos e o efeito resultante no perfil de risco da Oi e na liquidez, já que poderá demorar mais para a Oi desalavancar comparando com as nossas expectativas anteriores se tiver de assumir esta perda”, explicou Luísa Vilhena, analista. “Precisamos de determinar se este acontecimento pode afectar o timing e termos da fusão com a PT e se há potencial adicional de risco no governo corporativo devido a estes desenvolvimentos.”
A Portugal Telecom, actualmente a ser absorvida pela brasileira Oi, avançou com os financiamentos ao império Espírito Santo sem informar a operadora brasileira, o que levou os dois administradores desta nomeados para a PT a apresentarem a sua demissão da administração da operadora dona do Meo. A PT, o GES e a Oi negoceiam agora uma solução.
in: Jornal i, 5 Julho 2014