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Chineses da REN afundados em caso de corrupção e na mira de Pequim

Cada tiro, cada melro. Parceiros chineses escolhidos por Portas e Passos para mandar na energia portuguesa envolvidos em fraudes e corrupção

Os parceiros chineses escolhidos pelo governo português para mandar na energia portuguesa, sector crítico para o funcionamento do país, estão afundados em escândalos de corrupção, estando já na mira das autoridades de Pequim para mais multas e sanções.

A State Grid e a Three Gorges Corp., os maiores accionistas da REN e da EDP, respectivamente, “estão a revelar-se enormes antros de corrupção, a uma escala dificilmente imaginável”, reflecte a Stratfor, consultora, no rescaldo da análise às conclusões da investigação inicial a este sector na China levada a cabo pelo Gabinete Nacional de Auditoria da China (GNAC). Este gabinete apurou que em apenas quatro meses, de Abril a Julho de 2013, houve o “roubo e desvio através de irregularidades contratuais” de mais de 1,1 mil milhões de dólares – 808 milhões de euros – na State Grid.

A investigação à State Grid surgiu depois da limpeza com que Pequim avançou na administração dos maiores accionistas da EDP, a Three Georges, devido a acusações de desvio de dinheiro. As conclusões iniciais da investigação à State Grid em curso foram divulgadas a 16 de Junho. “O auditor esclareceu que o sector da electricidade na China está sob intenso escrutínio no seguimento de um impulso anticorrupção que está em curso no país desde o final de 2012, que tem olhado para cada sector um a um”, explicou o “Wall Street Journal”, citando também as conclusões iniciais do GNAC. “O Gabinete de Auditoria apontou que a investigação a alguns contratos do sistema eléctrico de transmissão Oeste-Este desvendou o roubo e irregularidades contratuais num total de 1,1 mil milhões de dólares. Em algumas áreas, os problemas identificados valiam 16% do total dos contratos revistos”, noticiou ainda o mesmo jornal.

Até ao momento as autoridades de Pequim ainda não acusaram formalmente a State Grid ou a sua administração, mas Liu Zhenya, chairman da maior accionista da REN, é um dos focos da investigação. A adjudicação pela State Grid de 40 contratos no valor de 200 milhões de euros sem qualquer concurso é uma das irregularidades apontadas pelo GNAC.

Tal como em Portugal, o sector energético na China é um quase-monopólio, cujo excesso de posição dominante por parte de poucas empresas tem impedido uma maior eficiência nos investimentos. “Os resultados da auditoria marcam o início de uma análise mais aprofundada à State Grid e a outros nós das cadeias de fornecimento de energia da China”, um avanço em muito impulsionado “pelos reformadores tanto de dentro como de fora da liderança do Partido Comunista, que têm pedido em inúmeras ocasiões o fim do quase-monopólio da State Grid na rede de distribuição chinesa”, explica por seu turno a Stratfor no rescaldo às conclusões da auditoria. “Em alternativa, o ataque à corrupção pode apenas significar que Pequim está consciente do pesado investimento que é necessário para atingir os objectivos de longo-prazo em termos energéticos procurando assim reduzir a ineficiência e desperdício relacionados com a corrupção”, apontam também.

in: Jornal i, 21 Junho 2014

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