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Carris e Metro. Swaps não anulados dão ganhos de 60 milhões

Metro ganhou 23 milhões com melhoria dos swaps não anulados. Suposta melhoria das contas disfarça situação financeira que só piora

A melhoria das condições de mercado permitiu ao Metro e à Carris fazerem reflectir ganhos de milhões de euros nas contas de 2013 graças aos swaps, os contratos de cobertura de risco envoltos em polémica no último ano. Os contratos que não foram cancelados nestas duas empresas valorizaram no ano passado, tendo tido um impacto positivo de 36,9 milhões de euros na Carris, segundo as contas da empresa, e de 23 milhões de euros na Metro de Lisboa, conforme apurou o i.

Com o anúncio esta semana de resultados históricos tanto na Metro de Lisboa como na Carris, é de alertar que estes ganhos contabilísticos influenciaram muito os números apresentados pelas empresas, que, todavia, continuam numa rota de deterioração, apesar de os prejuízos terem recuado.

Veja-se o caso da Carris, única destas duas empresas que já divulgou o Relatório e Contas do ano passado, documento que deixa evidente o agravamento da situação: a redução dos prejuízos de 64,7 para 7 milhões foi conseguida sobretudo com a melhoria dos resultados financeiros, ou seja, o impacto positivo dos swaps ao longo de 2013 – se em 2012 influenciaram negativamente as contas, em 24,5 milhões, agora influenciaram positivamente. Isto resultou numa redução dos encargos com juros de 70 milhões para 45,5 milhões.

Porém, fora esta melhoria conjuntural, do ponto de vista estrutural a situação da Carris continuou a agravar-se, como a própria empresa aliás indica no seu R&C: sem acesso a financiamento a taxas razoáveis, e ao fim de mais uns anos de um governo que não toma qualquer decisão sobre a empresa, a exposição da Carris à dívida de curto prazo continua a crescer significativamente, indo explodir nas mãos (bolsos) dos contribuintes mais cedo ou mais tarde. “Importa ainda salientar que a empresa reembolsou cerca de 79,4 milhões de euros de empréstimos de médio e longo prazo, com recurso a financiamentos de curto prazo (a 30, 60 e 90 dias) com spreads e taxas de juro globais muito mais elevadas que as dos empréstimos reembolsados”, diz a transportadora.

Ou seja, a Carris tem reembolsado empréstimos com juros a rondar os 1,5% com recurso a novos créditos com juros de 6,5%. Este ano haverá mais 80 milhões de euros de dívida de médio e longo prazo a ser substituída por endividamento a curto prazo. No final deste ano “a dívida de curto prazo deve representar cerca 70% do passivo remunerado” – em 2011, por exemplo, representava 32,2% do total.

Nos próximos anos, o mesmo: “Este cenário repetir-se-á em 2015, 2016 e 2017, em que as necessidades para reembolsos de médio e longo prazo serão de 86,9, 59,7 e 45,0 milhões de euros, respectivamente”, diz o R&C da Carris, que também conclui que a situação “implicará um acréscimo elevadíssimo dos gastos financeiros que absorverão por completo a melhoria dos resultados”.

A empresa no final de 2013 já tinha capitais próprios negativos de 871 milhões de euros, valor que não será passado aos privados aquando da concessão da operação dos transportes de Lisboa. O contribuinte paga.

in: Jornal i, 1 Maio 2014

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