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Na China, Durão decreta fim de recessão na zona euro

Comércio entre Europa e China envolve mais de 1,3 mil milhões de euros por dia. Investimento chinês na UE disparou com a crise

Inicia-se hoje no Grande Palácio do Povo, em Pequim, a cimeira China-União Europeia. O evento “coincide com 10º aniversário da parceria estratégica” de ambos e será “a primeira em que vamos encontrar a nova liderança chinesa”, disse o presidente da CE, Durão Barroso, à Televisão Central da China.

Na entrevista, o líder europeu salientou que “as dúvidas acerca do euro desapareceram” e que a recessão da zona euro “ficou para trás”, reconhecendo todavia que o crescimento da moeda única no terceiro trimestre foi “pequeno”. Segundo as previsões da OCDE, e depois do recuo de 0,4% em 2013, o PIB dos países do euro deverá subir 1% em 2014 e mais 1,6% em 2015.

O crescimento previsto pela OCDE para o euro virá sobretudo do consumo das famílias, que vale 57% do PIB da região. O consumo privado na zona euro em 2014 deverá anular a queda de 0,6% deste ano, alimentando mais de um terço do crescimento de 1% antecipado pela OCDE para a moeda única em 2014.

Tal como no euro, também em Portugal o consumo privado tem desempenhado um importante papel. Segundo a OCDE, à quebra de 5,4% de 2012, segue-se um novo recuo de 2,3% este ano e de 0,6% no próximo, desaceleração que tem ajudado à saída da recessão e que segundo as previsões colocará Portugal de volta ao crescimento em 2014 – entre 0,4% e 0,8%, segundo as projecções. O governo anunciou ontem que a 10ª avaliação da troika ao programa português realiza-se a partir de 4 de Dezembro, finda a qual deverão ser conhecidas novas previsões.

UE-China: -145 mil milhões O investimento chinês tem sido uma das soluções a que a UE tem recorrido nos últimos anos, culpa da crise que obrigou a uma procura alargada de capital. Entre 2000 e 2011, foram registadas 563 operações chinesas acima do milhão de euros na Europa, envolvendo mais de 15 mil milhões de euros. Deste total, o período entre 2009 e 2011 foi responsável por mais de metade do valor – 9,6 mil milhões de euros. Os valores foram apurados pelos analistas da Rhodium Group que, no entanto, afastam a ideia de que “a China esteja a comprar a Europa”, lembrando que os fluxos de IDE chinês em 2011 – 6,2 mil milhões – “foram apenas 4% do total de IDE que entrou na Europa”.

A Europa importa da China mais do dobro do que consegue exportar para aquele país: em 2012, as exportações chegaram aos 143,9 mil milhões de euros, ao passo que as importações atingiram os 289,7 mil milhões. Para inverter este défice, defende Bruxelas, “não temos que importar menos, mas exportar mais”, lembrando que todos os anos “20 milhões de lares chineses passam do limiar dos 10 mil euros de rendimentos anuais, valor a partir do qual já podem investir em grandes bens de consumo”.

in: Jornal i, 21 Novembro 2013

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