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Governo reduz encaixe com venda dos CTT e afasta portugueses

Venda em bolsa afasta grupo Rangel e Montepio da corrida. Estado fica com 30% da empresa por agora

O modelo decidido pelo governo para a privatização dos CTT desagradou a dois dos principais grupos portugueses interessados na empresa, que rapidamente anunciaram a desistência da corrida. O executivo anunciou ontem que vai vender apenas 70% da empresa através de duas dispersões em bolsa: uma directa e outra através de bancos. Os restantes 30% dos CTT ficarão, por agora, nas mãos do Estado, podendo ser vendidos na íntegra mais tarde.

Ao ficar com 30% do capital, o governo não só abdica de perto de 180 milhões de euros do encaixe em que iria resultar a venda de 100% da empresa – valor calculado sobre os 600 milhões dados como preço de referência aos CTT –, como também afasta da corrida os portugueses do grupo Rangel e do Montepio, numa lista de desistentes que ainda poderá contar com o grupo Urbanos.

“Quer nós, quer o Montepio Geral, sempre dissemos que sem uma posição de controlo não nos interessava participar na privatização dos CTT. Não faz sentido participar neste concurso nestas condições”, explicou Eduardo Rangel. “O governo fica com 30% e vai controlar os correios. Mesmo vendendo no futuro, nunca ninguém terá uma posição maioritária na empresa”, explicou o líder do grupo Rangel em declarações ao “Económico” e “Negócios”. Já o grupo Urbanos, apesar de não anunciar a desistência, alinha num tom de prudência: “O modelo sem oferta pública de venda (OPV) era mais atractivo, mas não deixamos de olhar para o dossiê e ver qual a percentagem para a oferta pública inicial e a percentagem para o modelo em particular”, disse Alfredo Casimiro. “Se ficarmos com posição maioritária, temos interesse; se não, depende, vamos ter de pensar e rever.”

Considerando a lista avançada esta segunda-feira pelo “Económico”, conclui-se que, além do grupo Rangel e do Montepio Geral, que concorriam em conjunto, e da Urbanos, também Paulo Fernandes, dono da Cofina, era outro dos interessados portugueses nos CTT. Além destes, na corrida pelos CTT estão os Correios do Brasil e três fundos de investimento.

Ontem de manhã, o governo aprovou em Conselho de Ministros a venda de uma percentagem “até 70%” do capital dos CTT, salientando que não iria abdicar por agora de uma fatia de 30% da empresa. Entre as hipóteses para a venda dos 70%, o governo avançou duas operações de dispersão de acções em bolsa: primeiro através de uma OPV, de onde também sairão os 5% destinados aos trabalhadores dos correios; e outra através de um conjunto de instituições bancárias, que ficam obrigadas a vender as acções em bolsa.

No primeiro semestre deste ano, os CTT lucraram perto de 32 milhões de euros, apresentando hoje uma dívida de 220,7 milhões de euros. De Junho do ano passado para o mesmo mês de 2013, a empresa reduziu o seu quadro de pessoal em 968 trabalhadores, empregando agora pouco mais de 12 600 pessoas.

in: Jornal i, 11 Outubro 2013

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