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Retoma. PIB dá sinais de vida mas contracção pós-troika ainda vai em 5,2%

Portugal registou um PIB de 38,2 mil milhões entre Abril e Junho. É um salto positivo, mas o produto continua 5,2% aquém de 2011
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Uns falam das chuvas de Março e do seu efeito na construção, o governo já fala em indícios de recuperação, mas ao mesmo tempo pede calma, a oposição só fala da evolução homóloga do PIB e os analistas não lançam foguetes nem tão-pouco reservaram o Marquês de Pombal para festejar a retoma. Quanto ao Instituto Nacional de Estatística, com uma abordagem obrigatoriamente cinzenta, recorre a duas simples frases: “O produto interno bruto (PIB) registou, em termos homólogos, uma diminuição de 2,0%”; “Comparativamente com o trimestre anterior, o PIB aumentou 1,1%.”

O INE divulgou ontem a estimativa rápida para a evolução do PIB português entre Abril e Junho deste ano, dando conta de um crescimento trimestral de 1,1% no valor da economia nacional, que assim interrompeu um ciclo de dez trimestres de queda – desde os primeiros meses de 2011 que o produto recuava em comparação com os três meses anteriores. Esta queda acumulada fez com que o PIB trimestral caísse dos 40,9 mil milhões de euros com que foi avaliado no terceiro trimestre de 2010 até aos 37,8 mil milhões que valia no primeiro trimestre deste ano. Agora, e no período de Abril e Junho, o PIB trimestral recuperou para os 38,2 mil milhões, mas ainda está bastante longe dos valores pré- -crise – no segundo trimestre de 2011, o PIB trimestral foi de 40,3 mil milhões.

Páscoa homóloga No final do segundo trimestre deste ano, a riqueza produzida ficou 2% abaixo do valor registado no mesmo período de 2012, beneficiando em parte do “efeito Páscoa” nas contas. Conforme explica o INE, em termos homólogos houve uma “aceleração expressiva das exportações de bens e serviços, em parte associada ao efeito de calendário (em 2012 a Páscoa celebrou-se em Abril e em 2013 em Março)”.

A queda homóloga de 2% no valor do PIB no segundo trimestre compara com a quebra de 4,1% que tinha sido registada em termos homólogos no primeiro trimestre do ano – naquele que foi o pior registo desde o início de 2009. Apesar desta recuperação na variação homóloga, certo é que a quebra de 2%, mesmo sendo o melhor comportamento desde a chegada da troika a Portugal, ainda não é o melhor registo dos últimos dois anos. Nos três primeiros trimestres de 2011 as quebras face ao mesmo período de 2010 foram inferiores. Contudo, se naquele ano a economia estava a entrar num ciclo recessivo, agora a evolução parece apontar no sentido oposto (ver gráfico ao lado). Mas convém salientar o carácter dúbio do comportamento do PIB português: desde 2003 é a terceira vez que o PIB trimestral português em termos homólogos está numa espiral de queda. À recessão de 2003 seguiu-se um ciclo de crescimento ténue entre 2004 e 2008, com Portugal a voltar à recessão em 2009. Registou uma ligeira melhoria em 2010, seguida de nova e abrupta queda durante 2011, 2012 e também 2013, dando só agora sinais de melhoria. Ou seja, no último trimestre a economia portuguesa começou a desenhar mais uma perna do ciclo de evolução da economia em “W” em que está desde o final de 2008.

Recuperação trimestral Uma das componentes que mais estão a beneficiar a economia são os ganhos obtidos na balança comercial. Apesar de o governo falar sempre – sem excepção – das exportações, o real sucesso da dieta imposta pelo governo aos portugueses encontra-se também no comportamento das importações.

Os números falam por si: no primeiro semestre de 2013, as exportações subiram 3%, valor que compara com as previsões de uma subida de 4,7% para a totalidade do ano. A compensar esta melhoria aquém do previsto estão as importações. Entre Janeiro e Junho, as compras portuguesas ao exterior caíram 2,4%, quando o cenário para este ano prevê uma quebra de apenas 1,7% neste indicador. Contudo, uma descida maior que a prevista nas importações tem também implicações negativas: é sinal de uma quebra no consumo maior que a esperada, o que acarreta consigo o risco de um desemprego mais elevado e, logo, de mais gastos com prestações sociais.

“Mais que uma inversão de ciclo, para já apenas podemos falar em tentativa de estabilização da economia portuguesa”, observou sobre a evolução da economia portuguesa a IMF – Informação de Mercados Financeiros, que, à imagem de várias outras análises ao comportamento português, alerta para os riscos que ainda estão à porta: “Os grandes riscos estão relacionados com 2014, nomeadamente com a aplicação de um Orçamento do Estado para 2014 que deprima a procura interna em resultado da reforma do Estado ou de novas medidas de austeridade. Será também em 2014 que se levantarão mais dúvidas sobre a capacidade de Portugal de voltar aos mercados.”

in: Jornal i, 15 Agosto 2013

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