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República de Chipre. Noite das taxas longas da zona euro deixailha à deriva

Entre a espada e a parede, por um lado, tratados como pedintes, por outro. Abandonados por todos. Esta poderá ser a posição em que se sentem os cipriotas e o seu governo. Mas os responsáveis europeus ontem à entrada da reunião do Eurogrupo, não deveriam estar mais confortáveis, encostados entre a ameaça de demissão de Anastasiades, presidente cipriota, a imposição de um plano aos cipriotas que estes já recusaram e o pânico de tornar o Chipre no equivalente nacional do Lehman Brothers. A falência de um Estado do euro é um cenário de efeitos inimagináveis.

A crise na ilha do Mediterrâneo está longe de ver uma luz ao fundo do túnel. A Europa tentava impor ontem ao governo cipriota que cobrasse uma taxa de até 25% aos clientes do Banco do Chipre com mais de 100 mil euros em poupanças e de cerca de 5% aos depósitos semelhantes nos outros bancos do país, mesmo os saudáveis. Também ontem, a banca do país baixou para 100 euros os limites aos levantamentos nos multibancos, isto ao fim de oito dias sem abrir portas, levando ainda mais ao desespero os cipriotas, a maioria porque não tem dinheiro (ou acesso ao mesmo). A juntar a isto, viram-se três faltas de solidariedade: uma sondagem na Holanda dava conta de que a maioria dos habitantes do país quer expulsar a ilha do euro; na Rússia, os cipriotas foram humilhados – “Fomos tratados como pedintes”, lamentava-se um elemento da comitiva cipriota ontem citado pelo “The Guardian”. Por fim, nem os amigos de sempre se mostraram disponíveis para ajudar, já que os gregos recusaram partilhar com o Chipre parte dos fundos dos resgates de que já foram alvo. Isto quando Nicósia esperava o apoio de Atenas no combate aos gigantes de Bruxelas cuja postura, disse o líder da oposição cipriota, é de “chantagem e antieuropeia”.

A única alternativa que se apresentava ontem à noite ao governo de Nicos Anastasiades era assim “a bomba atómica” da demissão, um rumor que se fez ouvir ao longo de todo o dia, já que Anastasiades recusa o plano de reestruturação bancária que o FMI procura impor ao país. Além das taxas sobre depósitos, este plano prevê que o Banco do Chipre absorva os activos do Laiki, segundo maior banco do país, assegurando os depósitos e a dívida ao BCE daquela instituição – que fecha.

O excesso de exigências apresentadas pelo FMI, segundo fontes cipriotas citadas pelas agências internacionais, foram mesmo a razão que impediu um acordo no sábado entre o Chipre e os representantes da troika – CE, BCE e FMI -, levando à reunião de ontem à noite do Eurogrupo para se procurar uma solução para os cipriotas. Marcada inicialmente para as 17h, a reunião foi sendo sucessivamente adiada – em nome de encontros tripartidos entre Anastasiades, Rompuy e Barroso, ou entre Anastasiades, Christine Lagarde e Mario Draghi.

Os líderes europeus sentaram–se finalmente à mesma mesa pouco passava das 20h45. Minutos antes, mais de onze caixas de pizzas foram entregues na sala onde a reunião ia acontecer. “Parece que isto vai ser uma noite loooooonga”, desabafava Nikos Christodoulides, porta- -voz do governo cipriota, pelo Twitter. Já com a reunião em curso, muitas fontes apostavam que a Europa iria resolver este caso à Europa: no limite de todos os prazos, será acordada uma solução de recurso, que permita adiar soluções definitivas por mais umas semanas. A ver.

in: Jornal i, 25 Março 2013

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