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Ferbritas. Deutsche Bahn “achava que podíamos ultrapassar a lei”

A venda da empresa Ferbritas, do Grupo REFER, foi um dos primeiros dossiês que a nova administração da empresa enfrentou assim que chegou ao cargo. Volvidos seis meses, Rui Loureiro explica ao i os contornos do recuo na venda da Ferbritas, agora rebaptizada REFER Engineering, com olhos no exterior.

Quais as razões que levaram à não venda da Ferbritas pela REFER? Era um processo que estava quase fechado pela anterior administração…

A redução esperada nos investimentos a partir de 2012 e para os anos seguintes, assim como o facto de a Ferbritas vender pelo menos 80% dos seus serviços à REFER e ainda de ter uma previsão de prejuízos para os próximos anos, levaram ao estudo da hipótese de vender a empresa, em conjugação entre a anterior administração e o accionista. Esse processo foi avançando e, no final do mesmo, já com esta administração, havia a possibilidade de vender a Ferbritas à Deutsche Bahn. Na altura seguiu-se uma série de reuniões, com a assinatura de acordos de intenção e de confidencialidade, tendo a Deutsche Bahn já nesta fase sugerido que, dados os prejuízos previstos para a Ferbritas nos próximos anos, a REFER devia comprometer-se a comprar um determinado valor em serviços à empresa todos os anos.

De que forma se iria garantir essa percentagem de vendas garantidas?

A REFER deveria continuar a comprar serviços por via de ajustes directos, até porque havia o interesse de manter uma certa continuidade em termos de engenharia que apoiasse tecnicamente a REFER ao longo do tempo, em matéria de manutenção. Contudo, e sendo verdade que é preciso manter alguma quantidade de engenharia, salientámos que ao vender a Ferbritas a outro grupo não mais poderíamos recorrer aos ajustes directos para contratar a empresa, pois deixaria de ser nossa, e teríamos de passar a contratar todos os serviços por via de concursos públicos. Sendo este o caso, a Deutsche Bahn perdeu o interesse na compra.

Exigiam portanto que a REFER assegurasse um mínimo de venda e sem isso perderam o interesse?

Foi nesse ponto que perderam o interesse, acharam que o negócio deixou de aliciar, ou seja, a Deutsche Bahn provavelmente achava que podíamos ultrapassar a lei no que se referia ao ajuste directo. Nesse sentido recebemos uma carta em que, alegando estes motivos, diziam ter perdido o interesse. O recuo coincidiu com o avanço da medida que dita que as empresas instrumentais das empresas públicas vão deixar de ter administrações próprias, com a administração a ser garantida pela administração do grupo.

Aproveitaram o recuo para avançar com a reorganização da empresa?

Fizemos de imediato uma mudança no conselho de administração da Ferbritas, que coincidiu com o recuo da Deutsche Bahn. No entanto, estas mudanças levantaram algumas questões à REFER: por um lado, não temos capacidade de manter o grupo de engenharia da Ferbritas, mas por outro não nos podemos dar ao luxo de dispensar o ramo de engenharia da REFER, sob pena de perder know-how. Isto acabou por determinar a criação do Grupo REFER, um processo que passa por chamar todas as empresas instrumentais para o seio da casa-mãe, seguindo a orientação de as unir sob um só conselho de administração. O primeiro ramo a ser concentrado foi a Ferbritas, segue-se agora a REFER Telecom.

Acabando também com o nome de Ferbritas…

Sim. Decidimos concentrar toda a parte de engenharia do grupo na REFER Engineering, já que o nome Ferbritas não era associado à REFER e também porque já não representava a empresa, que já não trabalha com britas. Criámos então um corpo de engenharia do grupo REFER, sob o nome de REFER Engineering. E porquê este nome? É que só há uma hipótese de manter o grupo, o desenvolvimento ferroviário e o corpo de pessoal motivado: vender serviços. Ora como cá em Portugal vendemos quase exclusivamente para o próprio grupo, a aposta de crescimento da Engineering tem de ser no campo internacional. É neste contexto que, e seguindo as ideias da tutela, de internacionalização, celebrámos alguns acordos com a AICEP para levar o cluster ferroviário para diferentes países, sobretudo os países africanos de língua portuguesa, estando também a apontar para a América do Norte para potenciar as vendas, seguindo os mercados estratégicos referidos pelo governo para a economia portuguesa.

in: Jornal i, 12 Março 2013

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