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Troika. Juros anulam 30% do esforço dos funcionários públicos

Os funcionários públicos perderam entre Janeiro e Setembro deste ano 1,8 mil milhões de euros em salários, tendo sido um dos maiores focos da austeridade do governo PSD/CDS. Apesar desta poupança, o défice português até Setembro está a recuar apenas 1,6 mil milhões de euros, situando-se agora nos 5,6%. O aumento dos encargos com juros em 500 milhões de euros – 28% da poupança do Estado com os funcionários públicos – é uma das razões para a quebra mais lenta que o esperado do défice.

Os gastos do Estado com juros, aliás, e nos 12 meses terminados em Setembro, atingiram os 7,4 mil milhões de euros, valor que também supera mil milhões de euros o encaixe conseguido com o vasto rol de privatizações postas em curso desde que foi assinado o Memorando de entendimento. Estas operações trouxeram na teoria 6,4 mil milhões de euros para os cofres públicos.

Quanto aos juros pagos apenas desde Janeiro, estes atingiram os 5,47 mil milhões, valor que equivale já a 79% do défice do Estado, calculado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística em 6,9 mil milhões. Este ano, primeiro exercício em que Portugal está integralmente sob alçada da troika, o peso dos juros face ao PIB está a crescer de 3,9% para 4,4%.

Com o aumento dos encargos com juros em 500 milhões de euros em 2012, o défice português recuou então apenas 1600 milhões de euros, estando longe da meta acordada com a troika para este ano, que exige um défice de 5% em 2012, estando actualmente nos 5,6%. Esta derrapagem poderá obrigar o governo a procurar soluções de recurso como o abatimento de parte da receita com a venda da ANA ao défice, que é um dos caminhos que estão a ser estudados pelo PSD/CDS para maquilhar as contas do corrente exercício.

O não pagamento do subsídio de Natal aos funcionários públicos agora em Dezembro também ajudará o governo, isto porque para a redução do défice português conseguido até ao momento está a contribuir sobretudo “a diminuição acentuada das despesas com o pessoal”, com o Estado a gastar menos 13,3% com os funcionários públicos: foram menos 1,8 mil milhões de euros em salários pagos pelo Estado entre Janeiro e Setembro do corrente ano.

A austeridade, porém, não levou apenas as remunerações dos funcionários públicos. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, os rendimentos recebidos pelas famílias caíram em toda a economia, com o total de remunerações pagas em Portugal de Janeiro a Setembro a atingir os 58,3 mil milhões de euros, contra os 61,9 mil milhões registados em igual período de 2011 – quebra de 5,8%.

Olhando apenas para o sector privado, constata-se uma queda de 4% nas remunerações pagas.

in: Jornal i, 29 Dezembro 2012

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