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Crédito Universitário. Bancos emprestam menos 57%

Nos últimos cinco anos, 17 750 estudantes do ensino superior recorreram ao sistema nacional de garantia mútua para conseguirem financiar os seus estudos, tendo contratado pouco mais de 200 milhões de euros. O corrente ano lectivo, porém, mostra que o aperto no crédito está também a afectar esta linha de financiamento apoiada pelo Estado, com os créditos a atingirem um novo mínimo.

Se no ano lectivo de 2010/2011 foram registados 4537 empréstimos deste género, o valor mais alto desde 2007, já durante este ano foram registados apenas 1951 novos empréstimos, uma quebra de 57% até ao momento. Desde 2007 e até ao ano passado, nunca foram cedidos menos de 3300 créditos. A quebra atingiu também o valor disponibilizado, que este ano vai em 22,5 milhões de euros, contra os cerca de 50 milhões de 2010/11 e 2009/2010.

O spread máximo destes empréstimos continuou este ano a ser de 1%, com taxas de juro “muito baixas e propositadamente convidativas, por resultarem de um esforço concertado entre todos os intervenientes no sistema: Ministério da Educação, banca e garantia”, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua, José Fernando Figueiredo, numa nota publicada no site da instituição.

Segundo a mesma nota, e até Julho deste ano, portanto até ao final do último ano lectivo, estavam “contabilizadas 385 operações de crédito a estudantes executadas, cujo valor total superava os 2,8 milhões de euros”. Os valores apontam ainda para uma taxa de incumprimento média de 1,43% nestes créditos desde 2007, que, porém, tem vindo a cair desde o primeiro ano: se em 2007 o incumprimento foi de 4,2%, no ano seguinte foi de 2,3%, não tendo superado o 1% desde o ano de 2009/2010.

“Estes valores apresentam-se, ainda assim, inferiores à taxa média de sinistralidade global do sistema nacional de garantia mútua e do sistema financeiro português no seu todo”, explica também o presidente da SPGM. Aliás, segundo os últimos dados do Banco de Portugal, e já relativamente à totalidade dos créditos a particulares em Portugal, a taxa de incumprimento no crédito à habitação, normalmente o mais respeitado de todos, já ultrapassa os 2%, um novo recorde, enquanto no crédito ao consumo o malparado atinge os 11,4% do total emprestado.

Estes valores, de Outubro, mostram que os portugueses acumulam mais de 5,03 mil milhões de euros em malparado, o que corresponde a 3,73% do total dos financiamentos concedidos pela banca presente em Portugal.

in: Jornal i, 25 Dezembro 2012

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