Zonaecom. A fusão óbvia que esperou até ser inevitável

A fusão, pré-anunciada e protelada desde 2007, terá surpreendido poucos. O timing era mesmo o único ponto em suspenso no longo namoro de cinco anos que finalmente resultou em pedido de casamento. Este ainda não está consumado, mas os pais da Zon (Isabel dos Santos) e da Optimus (Paulo Azevedo, CEO da Sonae, dona da Optimus) já deram a bênção à criação de um novo peso- -pesado. Porém, do início do namoro até à bênção, muita coisa mudou.

A empresa que resultar da fusão da Optimus com a Zon, operação que será votada pelos accionistas de ambas as empresas e que deve estar concluída em Julho, segundo o “Diário Económico”, vai criar um rival de respeito à Portugal Telecom, longe no entanto da rival que já poderia ter surgido, antes da PT ter reconquistado posição no mercado da TV, perdida com o spin-off da PT Multimedia, em 2007, e antes da explosão da crise a que o país hoje assiste.

As sinergias do negócio, aliás, são agora avaliadas em 300/500 milhões de euros, isto quando em 2009 analistas falavam em mil milhões de euros, em avaliações “conservadoras”. Um mercado mais esmagado, o reforço da oferta e do serviço da PT nos últimos anos, os investimentos de ambas as empresas que foram avançando em separado e a desvalorização da bolsa, tudo justifica a revisão em baixa das potencialidades desta fusão.

Antes tarde que nunca Agora, e se tudo correr como previsto, Zon e Optimus passarão a ser detidas a 51% por uma nova empresa composta pela Sonaecom, da Sonae, e Isabel dos Santos, já parceiros na distribuição em Angola. Em conjunto ficarão com uma forte oferta ao nível das comunicações móveis, fixas, televisão, internet, cinema e, não de somenos, distribuição e gestão de espaços comerciais – estes últimos dois vindos do grupo Sonae. Pelas últimas contas de ambas, a nova empresa contará com 5,13 milhões de clientes e mais de sete milhões de serviços, aos quais se juntam os 8,7 milhões de espectadores nos cinemas Zon em 2011, mais de metade do total. Serão ainda cerca de 2600 colaboradores, numa empresa com 1,4 mil milhões de euros de receitas, 60% vindas da Zon.

O atraso e os padrinhos O atraso no casamento iminente deveu-se sobretudo ao facto de a Zon ter passado os últimos anos sem um pai verdadeiramente assumido a que fosse possível pedir bênção. Os accionistas da ex-TV Cabo, além de serem vários, nunca assumiram a paternidade da operadora, olhando para a empresa como mera participação financeira, até porque sempre estiveram limitados a deter no máximo 10% da empresa. Sem um único interlocutor, o negócio tornava-se mais difícil. Porém, e ao longo deste ano, a angolana Isabel dos Santos acabou por perfilhar a Zon, chegando aos 28,8% actuais mal os estatutos da empresa o permitiram. Paulo Azevedo encontrou assim a interlocutora que procurava, por sorte já sua associada, e os restantes pais não assumidos da Zon farão agora o papel de padrinhos, com posições diluídas na nova empresa, sendo aliás os do costume nestes negócios: BES, BPI, Joe Berardo ou Ongoing.

in: Jornal i, 17 Dezembro 2012