Saltar para o conteúdo

Cartões. Ofensiva contra taxas e comissões generaliza-se

A decisão da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, de deixar de aceitar cartões de pagamento em compras inferiores a 20 euros não é uma novidade em Portugal, mas traz um aliado de peso à guerra que também o comércio, a restauração e os serviços estão a combater.

Só no segundo trimestre deste ano, houve uma quebra de 5% no total de terminais de pagamento existentes em Portugal – menos 14 mil em comparação com o segundo trimestre do ano passado –, reflexo de várias pequenas e médias empresas que desistiram de oferecer esta facilidade de pagamento ou que simplesmente fecharam portas. “É inevitável que, face a uma situação de crise em que as empresas baixam as margens, essa prática venha a intensificar-se”, resumiu ontem João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços. Segundo o mesmo, já várias PME têm deixado de usar cartões e agora “chegou a fase de as grandes empresas usarem o mesmo critério”. Mas não são só as comissões bancárias que assustam os comerciantes e as empresas.

A entrada em vigor, em Fevereiro último, de um conjunto de novas regras do Código Tributário que obrigam os bancos a informar o fisco de todos os pagamentos com cartões de crédito e débito que intermediaram também estará a contribuir para o crescente número de comerciantes que suspendem os contratos para terminais, provavelmente como forma de fugir ao maior controlo do fisco.

Para o Pingo Doce, a razão apontada é só uma: poupar cinco milhões de euros nas taxas cobradas pelas transacções com cartões multibanco, e esta será uma das várias formas de compensar a aposta da Jerónimo Martins (JM) em campanhas agressivas que vão deteriorando a margem do grupo. A JM não fez ontem qualquer comentário sobre a decisão de não aceitar cartões em compras inferiores a 20 euros já a partir de Setembro, mas a associação do sector aproveitou para recuperar uma batalha antiga.

“Entendemos que Portugal é um mercado que tem pouca concorrência e cobra taxas muito elevadas aos comerciantes”, comentou Ana Trigo Morais, directora geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), cujos associados vendem 15,7 mil milhões de euros por ano – mais de metade dos quais assegurados pela Sonae, dona do Continente, e pela Jerónimo Martins. Segundo a APED, e nas operações de crédito, “o pagamento é duas vezes superior à média europeia, enquanto nas operações a débito o valor a pagar pelos retalhistas é quase três vezes superior”. Essa é a razão para a associação defender “a baixa da taxa”, calculando em 318 milhões de euros as taxas pagas pelos seus associados nos últimos quatro anos.

Continente não vai atrás A Auchan, grupo que detém o Jumbo, admitiu ainda ontem seguir o exemplo do Pingo Doce. “Caso o caminho não nos leve a uma redução” das taxas, “a prazo não nos restará outra alternativa que não seja pedir aos clientes para substituírem o pagamento em cartão por pagamento em dinheiro, pelo menos até um determinado limite”, avançou fonte oficial da empresa ao “Dinheiro Vivo”. Pelo contrário, e segundo apurou o i, o Continente não irá seguir esse rumo.

Já a Deco, assim como a Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), lamentou a decisão e o impacto da mesma ao nível do “bem-estar”, “segurança” e “comodidade” dos consumidores. De salientar que a maioria das taxas pagas pela distribuição nestes pagamentos não beneficia a SIBS, mas sim as entidades bancárias: dos 85 milhões em taxas pagas em 2010 pela distribuição, 71 milhões foram para a banca.

in: Jornal i, 22 Agosto 2012

1 Comentário »

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: