Desemprego bate os 17% no Algarve, Lisboa e Madeira

São recordes regionais abafados pelo recorde nacional, ainda que o superem. Se a taxa global de desemprego de Portugal bateu ontem um novo máximo, ao situar-se nos 15% no segundo trimestre do ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística, este é um valor que acaba por esconder outros recordes negativos que o mercado vai batendo sucessivamente. Isto porque o desemprego está a atacar as regiões portuguesas com impactos bastante distintos. Basta ver que entre as sete regiões em que se divide o país, apenas uma tem um desemprego médio inferior ao nacional – a região Centro, com 11,2% de desemprego.

Desde o final do segundo trimestre de 2009, a taxa global de desemprego em Portugal subiu 5,9 pontos – de 9,1% para 15% –, aumento que esconde duas velocidades distintas em termos regionais. Se por um lado, no Norte, Centro e Alentejo a taxa de desemprego saltou menos de cinco pontos, já em Lisboa, Algarve, Açores e Madeira, o salto superou os oito pontos. A subida nestas regiões levou a que Lisboa tenha uma taxa de desemprego de 17,6%, destronando o Algarve como a região onde há mais desempregados do país. Apesar de ter perdido o primeiro lugar, o Algarve também supera os 17% de desemprego (17,4%), valor que a Madeira já quase atinge, pois no final do segundo trimestre deste ano registava uma taxa de 16,8%.

O caso do Alentejo é paradigmático destas velocidades distintas. A região que antes de 2009 era onde se sofria mais com o desemprego – com uma taxa de 11,3%, quando a média nacional era de 9,1% –, é agora a penúltima neste ranking regional, tendo registado a subida menos pronunciada desta taxa: desde o segundo trimestre de 2009, o desemprego no Alentejo subiu 3,7 pontos para 15%. Contudo, se analisarmos apenas o último ano, é notória uma aceleração fora do comum na evolução do desemprego no Alentejo – a maior fatia do aumento acumulado desde 2009 deu-se a partir do segundo trimestre de 2011, quando o desemprego era de apenas 11,8%. Esta forte aceleração recente é também visível em Lisboa e nos Açores, cujas taxas dispararam 4,1 e 5,9 pontos em 12 meses.

Paradigmas Além da alteração do Algarve por Lisboa como a região onde há mais gente sem emprego no país, há outro paradigma a mudar no desemprego em Portugal. Os dados do INE mostram que, pela primeira vez, a taxa de desemprego entre os homens é maior que a das mulheres – 14,9% versus 15,1% –, isto quando historicamente o desemprego no feminino ficava mais de um ponto acima do masculino. Esta alteração deveu-se à queda do total de mulheres desempregadas no segundo trimestre, para 388,8 mil, quando no final do primeiro trimestre chegava a 392 mil.

Já o desemprego entre os jovens mostrou algumas melhorias, com um recuo inferior a um ponto face à taxa registada em Março deste ano. Segundo o INE há agora 385 mil jovens entre os 15 e os 34 anos desempregados, 35,5% do total. Há um ano, contudo, o desemprego jovem era de 27%. Considerando que o instituto de estatística identificou um total de 826,9 mil desempregados no segundo trimestre deste ano, então os jovens representam já 46,5% do total de desempregados do país. Destaque ainda para o facto da economia portuguesa ter 443 mil pessoas à procura de emprego há mais de 12 meses, mais 71 mil desde o segundo trimestre de 2011.

Segundo os dados do INE, no segundo trimestre do ano havia 108 mil licenciados no desemprego. Do total de desempregados, 522 mil contavam apenas com o ensino básico como formação. Mas é ao nível do ensino secundário que o desemprego está agora a atacar com mais força: desde o segundo trimestre de 2011 surgiram mais 66 mil desempregados com este nível de formação, crescimento maior que o registado entre a população apenas com o ensino básico, onde há mais 58,7 mil desempregados.

in: Jornal i, 15 Agosto 2012