Saltar para o conteúdo

Insolvências aceleram no segundo trimestre. São já 20 por dia

Mais um sinal do agravar da crise em Portugal: As insolvências, que até Março já estavam 40% acima de 2011, aceleraram e estão 55% acima

Com mais de 3320 insolvências já oficializadas em Diário da República este ano, Portugal está a assistir à morte de 20 empresas a cada dia que passa, um ritmo que não pára de acelerar desde o início do ano e que vai empurrando o desemprego para um valor cada vez mais alto, já acima de 15%.

Se no primeiro trimestre de 2012 as perto de 1600 insolvências registadas apontavam para o fecho de 17 empresas/dia, conforme o i deu conta a 5 de Abril, as contas ao segundo trimestre mostram uma maior taxa de mortalidade: encerraram mais de 1700 sociedades entre Abril e Junho, ou seja, 20 por dia. Uma aceleração que não encontra paralelo no ano passado nem em 2010, anos em que as insolvências até diminuíram do primeiro para o segundo trimestre, ainda que residualmente – de 11,4 para 11, e de 12 para 11,8, respectivamente.

Assim, contas feitas ao primeiro semestre deste ano, e conclui-se que até ao momento já se registaram mais 57% de falências que em igual período do ano passado, um ano também ele marcado pela crise. Se compararmos com o período entre Janeiro e Junho de 2010, o salto é ainda maior: mais 65% de encerramentos este ano. Nos primeiros seis meses de 2010 fecharam 2015 sociedades. Já em 2011, e no mesmo período, foram registados 2119 encerramentos. Agora, são 3323 desde 1 de Janeiro até ontem, conforme os dados recolhidos pelo Instituto Informador Comercial através dos anúncios de Acção de Insolvência publicados no Portal Citius e em Diário de República.

Actividades mais afectadas A promoção imobiliária está a ser a área mais afectada pela crise e insolvências ao longo deste ano. Desde o início do ano já encerraram 464 empresas deste sector – que inclui sociedades que se dedicam à promoção, desenvolvimento de projectos ou construção de edifícios –, número que representa um salto de 65,71% face aos encerramentos registados nesta área ao longo dos primeiros seis meses do ano passado.

Salto semelhante de 2011 para 2010 deram as empresas especializadas de construção, actividade onde os encerramentos dispararam 63,6% ao longo deste ano em comparação com o ano passado, tendo sido registadas 216 insolvências em Diário da República até ao dia de ontem – contra as 132 em igual período do ano passado.

Nestas duas actividades, contudo, nota-se que apesar dos crescimentos registado no total de insolvências ao longo deste ano, a crise já está instalada desde pelo menos 2010. A promoção imobiliária, por exemplo, foi responsável por 13% das insolvências no primeiro semestre de 2010 e 2011, valor que subiu apenas ligeiramente este ano, para 14%. Já na construção, a tendência é idêntica: apesar do crescimento do total de insolvências, o seu peso no total permaneceu quase ao mesmo nível: as empresas especializadas de construção foram responsáveis por 6% das insolvências nos primeiros seis meses de 2010 e 2011, e este ano registam uma fatia de 6,5%. Cenário diferente vive-se, por exemplo, na restauração (ver ao lado), que passou de ser responsável por 3% das insolvências (em 2010) para quase 6% este ano.

Depois destas áreas, destaque para os encerramentos registados na indústria do vestuário, que este ano já atingiram 159 empresas, mais 27% que no ano passado, assim como os encerramentos das empresas ligadas ao ramo da indústria alimentar, com uma subida nas insolvências quase igual à evolução registada no encerramento de restaurantes, com mais 85% de falências.

Distritos mais afectados Com um salto de 214%, Beja é o distrito que está a registar a maior subida nas insolvências este ano, ainda que apenas tenha registado 22 desde Janeiro.

Em termos absolutos, Porto, Lisboa e Braga, por esta ordem, lideram no total de falências. Estes três distritos registaram um total de 1905 insolvências desde o início do ano, ou seja 57% do total.

Entre estes três distritos, o maior salto foi registado por Braga, onde as empresas encerradas dispararam 62% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011, para 450. Já em Lisboa houve uma subida de 44%, para 672 insolvências.

O Porto continua a ser o distrito com mais insolvências do país, com 783 encerramentos desde Janeiro, uma subida de 50% face às 522 falências identificadas nos primeiros seis meses de 2011.

in: Jornal i, 28 Junho 2012

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

<span>%d</span> bloggers like this: