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Aí está a nova austeridade

Em poucos dias os portugueses foram sujeitos a mais austeridade, ao contrário de tudo o que o governo tem prometido – “não são precisas mais medidas”. Mas tanto a questão dos subsídios como o fim das reformas antecipadas são medidas de austeridade. Sobre o fim dos subsídios, o lapso não convence, já que todo o governo falou do fim da medida até 2014.

Porém, de um dia para o outro, o óbvio: quando os subsídios voltarem, a dieta do Estado cai por terra, já que a única poupança que estão a conseguir fazer é nos salários. Assim, reforça-se a austeridade e captam-se os subsídios até 2017. Já o fim das reformas antecipadas é uma nova medida de austeridade, que visa evitar que milhares de pessoas se reformem mais cedo. E quanto ao peso dos reformados da banca nesta decisão?

É que se por um lado o governo diz que vai poupar 450 milhões com o fim das reformas antecipadas, por outro lado o Estado prevê gastar 522 milhões com os “novos” pensionistas da banca. Valor que deixa claro que sem a absorção destas pensões as reformas não seriam congeladas.

Mas “não são precisas mais medidas”, insistirá o executivo, enquanto persiste no erro que ficará para a história deste período: baixar o défice a qualquer custo sem pensar além do presente. Uma estratégia errada cujo preço já é bem visível, depois de anos e anos a saltar de fundo de pensões em fundo de pensões, de privatização em privatização ou de imposto em imposto. É que em cada um destes saltos a recuperação tornou-se mais difícil; agora, que estamos no limite, as medidas envolvem custos cada vez maiores e de impacto cada vez mais rápido.

Aos milhões da banca para o défice de 2011 seguem-se 522 milhões de custos anuais que obrigam ao congelamento de reformas. Já à supressão de salários e ao aumento de impostos seguiu-se o aprofundamento da recessão e do desemprego, que obriga o Estado a gastar mais em subsídios ao mesmo tempo que vê as receitas cair. Daqui advêm mais medidas e o incêndio reacende-se com mais força. Como tem acontecido nos últimos anos.

in: Jornal i, 12 Abril 2012

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