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Tantos embustes para um só país

Dados os aumentos, comecemos esta viagem pelo embuste dos transportes. Este governo anda a subir preços de uma forma desligada da realidade de um país de pensões e salários médios de 300 e 700 euros. Até parece que foram os utentes que aceitaram décadas de exigências absurdas dos sindicatos ou que decidiram atrofiar as empresas com investimentos absurdos – como as estações de metro dignas do Dubai. Porém, são os utentes que não só vão pagar estes erros como ainda vão ser expulsos dos transportes.

Outro embuste vive nos cortes. São arbitrários e não separam o trigo do joio. Exemplo:“Empresas públicas cortam 15%!”Que interessa se uma está 100 vezes melhor que a outra? Cortam as duas. O incompetente que nada fez corta tanto como aquele que anda há anos a tentar limpar a empresa. E os leilões de dívida? Para o governo correm sempre bem, isto apesar dos juros ridículos com que nos andam a comprometer a curto prazo. Embuste.

Já no privado temos o embuste da concorrência. Portugal vive de mono e duopólios nos sectores incontornáveis da economia. Ao que é quase impossível escapar? Gás, luz, gasolina, comunicações e retalho. No retalho, Sonae e J. Martins dividem o país; nas comunicações, Vodafone e TMN quase – a Optimus sobrevive pois sem ela o mercado teria de levar com remédios. “E aZon?”Essa divide a TV com o Meo. E na luz,na gasolina e no gás? EDP,Galp e Galp. É preciso dizer mais? Claro que estas empresas contestarão as referências a mono ou duopólios. Falarão do “mercado livre” e “das liberalizações dos sectores”, como se bastasse ter um Badajoz na liga para o Real ou o Barcelona não serem um duopólio. As empresas ainda lembrarão que são criadoras de emprego e grandes investidores. Claro que criam emprego, ninguém faz nada sem trabalhadores. Investidores? Onde?Na Polónia?Nos EUA?No Brasil? Pois.

Há sectores com mais de uma empresa? Certo. Há concorrência real em vários sectores? Errado. Há problemas nos transportes? Certo. A culpa é do que pagam os utentes? Errado. Tudo isto são reais problemas na competitividade do país? Certo. Tudo isto está a ser realmente atacado? Errado.

in: Jornal i, 2 Fevereiro 2012

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