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Micro crítica: «O fundamentalista relutante»

Wook.pt - O Fundamentalista Relutante

O Fundamentalista Relutante, de Mohsin Hamid

Trailer: «Uma noite, num café em Lahore, o narrador conhece um homem misterioso. Este convida-o para tomar um chá e conta-lhe uma história. É o relato da sua ida para a América, quando era jovem, e de como abraçou o sonho ocidental. O primeiro da sua turma em Princeton, foi contratado por uma corporação de topo e prospera em Nova Iorque.»


Com um estilo particular, envolvente, directo e desconcertante de tão honesto, e um ritmo acelerado mas sem pressas, o livro de Mohsin Hamid mostra-nos um lado nem sempre dado a conhecer, culpa das crescentes pinturas a «preto» e «branco» com que se tenta sintetizar o mundo para os esfomeados por informações «pronto-a-comer» (que todos sabem ser menos saudáveis, mas que privilegiam já que não obrigam aos importunos de recolher e cozinhar ingredientes para preparar as próprias iguarias mentais).

Esta é o lado de quem assiste de fora aos grande eventos globais enquanto se vai preocupando e tratando da sua vida, lutando a luta do quotidiano. Mas quando os «grandes eventos» começam a mexer e a influenciar directamente com o seu país de origem, usado como peão num imenso conflito geoestratégico como tantas vezes acontece com vários outros, a reconstrução de uma nova identidade, corporativa, capitalista, norte-americana, produtiva e assente em KPIs, é abalada pela lembrança da identidade anterior.

Uma identidade que vai recuperando o seu espaço à medida que o sofrimento de conterrâneos, familiares e anónimos do seu país vai crescendo fruto da intervenção externa, mas também pela crescente incompreensão do país que o acolheu e a que se entregava cada vez mais, criando um imenso desassossego só comparável ao extremo vazio do mundo exterior da mulher por quem se apaixona, imersa num mundo interior demasiado preenchido para ser transponível.

Escolhido como livro da década pelo «The Guardian», uma honra talvez um pouco exagerada, mas igualmente eleito como melhor livro do ano em 2007 pelo «The Washington Post» e «San Francisco Chronicle», finalista do Man Booker Prize 2007, este é um livro cuja actualidade é constantemente revalidada e ainda mais agora que se cumpriram 20 anos do 11/9 e que a guerra no Afeganistão conheceu o desfecho que sabemos.


Avaliação: 8,5/10

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