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Antram deixou cair exigências, sindicato quis impor resultado à mediação e assim voltou a ameaça de greve

Sindicato exigiu um aumento de mais 50 euros, sobre os quase 250 euros já oferecidos pela Antram para janeiro de 2020, só para ir para mediação. Como não conseguiu, voltou a puxar da ameaça da greve.

in: ECO, 20 Agosto 2019

Os representantes do Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas tentaram impor parte dos resultados finais da mediação como condição para aceitarem a mesma, isto apesar da Antram ter abdicado de quaisquer pré-condições para colocar a resolução deste caso nas mãos dos serviços do Ministério do Trabalho. Mas dada a tentativa de imposição do sindicato, a mediação não vai avançar e os motoristas já ameaçam o país com nova greve.

Esta terça-feira o Ministério das Infraestruturas recebeu a Antram e o SNMMP numa tentativa de criar uma base negocial comum para ponto de partida para se avançar para um processo de mediação a cargo da DGERT. Contudo, para que esta mediação pudesse sequer começar, ambas as partes teriam de deixar cair quaisquer pré-condições iniciais. Foi o que a Antram fez, mas não o sindicato, conforme detalhou Pedro Nuno Santos aos jornalistas no final da bateria de reuniões do dia.

“Este dia iniciou-se depois da desconvocação da greve, uma desconvocação que teve como pressuposto a possibilidade de se negociar, através da mediação. Foi isso que ouvimos da boca do sindicato, que estavam reunidas condições para negociar”, comentou André Matias de Almeida, da Antram, ao final do dia. “Viemos ao MIH ouvir e apresentar o que devia ser objeto de mediação, dando nota no final que estamos disponíveis para que o objeto de mediação não tenha qualquer restrição, porque é na mediação onde se deve resolver as coisas”, prosseguiu. “Mas o sindicato recusou, quis impor condições”, lamentou.

Já os representantes do SNMMP assumiram a tentativa de imposição de resultados finais como forma de aceitarem a mediação, ainda que passando a ideia que “só pediram um aumento de 50 euros” para 2020, o que está longe de ser verdade. O que o SNMMP está atualmente a exigir passa por ter as mesmas condições que as colocadas em cima da mesa da Fectrans e do SIMM, que incluem um aumento superior a 20% para motoristas de cisterna em janeiro próximo, acrescidas de mais 50 euros e do pagamento de mais horas extraordinárias.

Sobre a tentativa de imposição de resultados ainda antes da mediação, o representante do sindicato apontou que “os motoristas precisam de garantias que vão ser valorizados” antes de partirem para a mediação, explicando que “não abdicamos do pagamento de horas extra e também de um aumento do subsídio em mais 50 euros”. Questionado sobre o porquê de não aceitar a mediação, já que tal não obriga a aceitar o resultado da mesma, Pardal Henriques apenas respondeu que tal “iria prolongar tudo isto por muitos meses” — note-se, porém, que por Lei a mediação não pode demorar mais de 30 dias.

“O sindicato sempre esteve disponível para negociar. Como veem, se a causa do impedimento para negociar era a greve, retirámos a greve e viemos aqui hoje para criar balizas para a mediação”, prosseguiu. Já sobre o novo aviso prévio de greve que o SNMMP aprovou ao mesmo tempo que desconvocou a paralisação de 12 de agosto, Pardal Henriques deixou para “amanhã” a concretização dessa ameaça. “Vamos dar seguimento ao que foi decidido no último plenário, já estamos mandatos para tomar as formas de luta que iremos tomar e amanhã enviaremos para a DGERT e para as redações as formas de luta que vamos encetar.”

Questionado sobre os aumentos já previstos no acordo da Fectrans, de 20% ou 247 euros, e se estes não seriam já um bom avanço para 2020, o advogado alegou simplesmente não saber “o que são 20%” previstos no acordo da Fectrans.

Depois de quase uma dezena de horas de reuniões ao longo de esta terça-feira no Ministério de Pedro Nuno Santos, e apesar da abertura da Antram para não colocar quaisquer pré-condições à mediação, o SNMMP saiu como entrou: com mais um aviso prévio de greve, a quarta ameaça destas à economia portuguesa em apenas cinco meses.

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