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BCE quer mais fusões para limpar balanços do sistema bancário

Fusões no setor financeiro da zona euro atingiram em 2016 o nível mais baixo desde que a moeda nasceu. BCE quer grandes a tomar os pequenos

in: Dinheiro Vivo, 30 maio 2017

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a pedir que o sistema financeiro intensifique os movimentos de consolidação entre bancos, desejando não só a redução do total de instituições mas também a absorção das pequenas e médias pelas gigantes. Objetivo: limpar o malparado.

Segundo os valores publicados este mês pelo BCE no relatório de Integração Financeira na Europa, o ano passado foi aquele em que se registaram menos fusões ou aquisições no setor financeiro desde que surgiu a moeda única, resultado de um declínio que já se vem verificando desde 2007 – tanto em número como em valor. E é preciso inverter este cenário, considera o BCE, que vê nas fusões uma das formas de controlar o problema dos ativos não produtivos (NPL), como o malparado, nos balanços da banca da zona euro, que já atinge o bilião de euros.

Estas fusões não podem regressar de qualquer maneira ou preço. Antes devem obedecer a dois racionais: os grandes a tomar pequenos e médios e através de operações transfronteiriças e não internas, ou seja, dentro do mesmo país. “As consolidações transfronteiriças poderiam ser um contributo valioso para resolver os NPL, que se encontram sobretudo concentrados em certos países”, refere o BCE. “E se a concentração passar pela fusão entre bancos pequenos ou médios, frágeis, só irá criar bancos frágeis maiores (…). Neste contexto, as fusões transfronteiriças deverão ajudar a aumentar o total de potenciais compradores e as probabilidades de um grupo maior avançar sobre um grupo mais fraco.”

A ajudar à defesa da absorção dos mais pequenos pelos maiores, o BCE realça igualmente os problemas da concorrência e das margens associados a fusões entre bancos do mesmo país. “A consolidação doméstica reforça, parcialmente, o poder de mercado de alguns players, ajudando-os a restabelecer a rentabilidade, ainda que acarrete dois riscos. Primeiro, a concorrência pode cair na oferta de crédito e depósitos em países mais pequenos ou em certos mercados dentro de países maiores. Segundo, menos concorrência reduz os incentivos aos bancos para manterem os custos controlados. Estes são riscos que não existem em fusões transfronteiriças.”

Malparado português

Portugal é um dos tais países com elevados índices de malparado no balanço dos bancos e ontem Mario Draghi lembrou isso mesmo na passagem pelo Parlamento Europeu. Apesar dos progressos significativos conseguidos pela economia portuguesa, incluindo na banca, o total de malparado continua acima do resto da zona euro, lembrou aos eurodeputados.

“Portugal registou progressos significativos em todas as áreas. Este é o primeiro ponto a ter presente”, disse. Mas as fragilidades persistem, “especialmente na banca, onde ainda há um nível muito elevado de malparado, como noutros países da periferia”, destacou, apontando que quanto mais malparado, menor a capacidade dos bancos em impulsionar a economia.

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