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Novo Banco força queda nas avaliações a trabalhadores

Gestão impõe quotas para reduzir médias das avaliações, por as considerar altas. Muitos trabalhadores só conheceram objetivos na reta final do ano

in: Dinheiro Vivo, 14 março 2017

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A administração do Novo Banco decidiu retomar as avaliações aos colaboradores suspensas em 2015 mas com uma alteração. O novo modelo prevê limites máximos para boas notas: pelo menos 80% de cada equipa deve ser avaliada entre o “inaceitável” e o “regular”.

De acordo com comunicações internas do Novo Banco a que o DV teve acesso, António Ramalho revelou às chefias que foi decidido impor quotas máximas para as boas avaliações já a partir deste ano, exigindo que não mais de 15% a 20% dos colaboradores sejam “muito bom” ou “excelente” – nota 4 ou 5. A gestão deu até fevereiro para estas avaliações estarem feitas.

“Em 2014 (último ano em que se procedeu a avaliações), a média global de AD [avaliação de desempenho] no Novo Banco foi de 3,99, a média nos departamentos comerciais foi de 3,87 e nos departamentos centrais foi de 4,21”, explica a comunicação. Este cenário é para mudar: as chefias vão ter de respeitar uma métrica para que, determina o CEO, seja “expectável que 80% dos colaboradores obtenham uma avaliação final no nível 3”.

Apesar de a dado passo ser garantido que a regra não é para “ser aplicada cegamente”, no final da comunicação é referido que os departamentos que não cumpram a métrica terão de rever a avaliação: “Caso tal não venha a verificar-se [cumprimento do limite], o departamento de capital humano devolverá as avaliações (…) para a necessária calibragem”, ou seja, “para ser garantido” o cumprimento da métrica por cada equipa – e segundo apurámos, houve já alguns departamentos que receberam “devoluções” das avaliações para fazerem esta calibragem.

Ainda segundo a comunicação citada, a imposição de um mínimo de 80% de notas más ou regulares visa evitar “a tentação de não sermos rigorosos” por “receio de desmotivar os colaboradores”. O banco procura impor uma mesma métrica a todos os departamentos onde, para superar o que diz serem notas “artificialmente” altas em algumas áreas, impõe limites ao total de notas altas em todas as áreas.

Trabalhadores pedem adiamento

A alteração caiu mal entre os trabalhadores. O avanço de um modelo que implica automaticamente a redução das avaliações médias quando o banco está em reestruturação é visto como algo que pode vir a ter reflexos em decisões sobre cortes, sobretudo quando há um fundo prestes a tomar o banco.

Mas há ainda a falta de informação: muitos trabalhadores do NB queixam-se de que só foram informados no último trimestre de 2016 de quais os objetivos que lhes eram exigidos, pelo que estarão a ser avaliados sobre metas que só perto do final do ano conheceram.

Apesar de não se insurgir contra o novo método, a comissão nacional de trabalhadores (CNT) do NB já deu conta do desagrado a Ramalho.

Em carta enviada à gestão, e partilhada com os trabalhadores, a CNT lamenta as alterações, que irão provocar um “sentimento de injustiça” entre quem nos últimos anos mais se esforçou por manter os clientes no banco. Não se dizem contra o método, antes se colocam “contra a imposição, de forma abrupta, das quotas”, “bem como quanto ao timing” da mudança. Pedem por isso uma “melhor ponderação”, de forma a que esta só entre em vigor na avaliação a este ano e também que seja dada “uma maior flexibilidade nas quotas impostas”.

Contactado pelo Dinheiro Vivo, o Novo Banco preferiu não fazer comentários sobre o tema.

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