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BCP ultima plano de redução de créditos tóxicos para BCE validar

Banco reconhece que avaliação do BCE pode levar a novas exigências que afectam posição de capital. Mais de 70% dos NPE do BCP são relativos a empresas

in: Dinheiro Vivo, 14 janeiro 2017

O Millennium bcp está a ultimar os detalhes do plano com o qual vai tentar reduzir em 20% a sua exposição a créditos tóxicos (non performing exposures, ou NPE) até ao final do corrente ano. O plano terá de ser avaliado pelo Banco Central Europeu (BCE) e, apesar de o BCP ter estimado entregar o documento ao supervisor ainda em janeiro, tal só deverá acontecer em fevereiro.

O balanço do banco liderado por Nuno Amado acumulava, em setembro do ano passado, 9,3 mil milhões em ativos rotulados de NPE só na operação portuguesa, tendo como objetivo reduzir este valor até aos 7,5 mil milhões de euros até ao final do ano.

Os NPE incluem mais do que o denominado crédito malparado, já que a expressão engloba o crédito vencido a mais de 90 dias, os créditos com reduzida probabilidade de serem cobrados sem realizar colaterais, além de todas as exposições em que o crédito vencido a mais de 90 dias represente mais de 20% da exposição total do devedor e, por fim, o chamado “crédito em período de quarentena”, ou seja, já reestruturado mas não estável.

Segundo informação do próprio banco, divulgada no prospeto relativo ao aumento de capital em 1,33 mil milhões esta semana anunciado, o plano que será implementado vai assentar na venda destes créditos “com esperado baixo impacto nos capitais próprios” e pela redução “das 200 maiores exposições” do banco, além da “monitorização regular” da estratégia e da “revisão das políticas de dação de colaterais, com enfoque em soluções extrajudiciais para acelerar a resolução de créditos hipotecários” e, por fim, o reforço da prevenção, ou seja, evitar que “os créditos evoluam para NPE”.

De acordo com o BCP, estes pilares da sua estratégia de redução de NPE “estão globalmente alinhados com as recomendações preliminares do BCE para os bancos relativas a crédito em incumprimento, que expõe os principais aspetos da estratégia, governo e operações relacionadas com uma alienação eficiente de crédito em incumprimento”.

Plano tem riscos

Apesar de cumprir as recomendações do supervisor, a verdade é que a “luz verde” do BCE ao plano que o BCP entregará até fevereiro pode chegar com a imposição de novas exigências por parte do supervisor europeu, conforme o próprio banco reconhece.

Depois de receber o plano, o BCE abrirá conversações com o banco, fórum onde poderão surgir então estas novas exigências. “O banco está atualmente a preparar um plano detalhado, para apresentar ao BCE em janeiro de 2017 [adiado para fevereiro, entretanto], relativo à estratégia e objetivos do banco para reduzir os NPE”, lê-se no prospeto já citado. “A partir das conversações subsequentes, poderão surgir requisitos adicionais do BCE de aceleração das reduções de crédito em incumprimento.”

A surgirem estas novas exigências, o BCP admite que fica em risco de cair numa situação ainda mais sensível do que a atual. Caso o BCE imponha novos objetivos, estes poderão “afetar significativa e negativamente o negócio, a situação financeira, incluindo a posição de capital, os resultados operacionais e as perspetivas futuras do banco”, reconhece o próprio banco no prospeto. Entre estas novas exigências podem estar, por exemplo, pedir ao BCP que reduza a exposição às NPE de forma mais acelerada.

“A adoção de guidelines e de recomendações do BCE e a prática de supervisão nelas baseada pode conduzir a uma aceleração da redução de NPE (non-performing exposures) o que poderá afetar negativamente o negócio, a situação financeira, os resultados operacionais e as perspetivas futuras do banco”, detalha o BCP, na longa lista de riscos que identifica no prospeto do aumento de capital.

Onde estão os NPE do BCP?

Segundo as informações veiculadas pelo banco presidido por Nuno Amado, os 9,3 mil milhões de euros de non-performing exposures que pesam na operação portuguesa do banco dizem respeito essencialmente a créditos concedidos ao setor empresarial.

“Os NPEs em Portugal ascendiam a 9,3 mil milhões de euros a 30 de setembro de 2016, sendo 29% dos NPEs relativos a individuais e 71% relativos a empresas”, aponta o BCP nas informações presentes no prospeto relativo ao aumento de capital.

Do total de 9,3 mil milhões de NPE, a grande maioria deve-se ao crédito malparado, ou non performing loans a mais de 90 dias, que apresentam um peso de 59% no total de NPEs, ou seja, perto de 5,5 mil milhões de euros.

Estes créditos tóxicos englobados no rótulo de NPE apresentam elevadas taxas de cobertura, diz o BCP, que avalia em 98% o grau de cobertura [colaterais] nos créditos empresariais e de 96% no caso dos particulares. Tanto no caso dos colaterais para créditos empresariais como para os particulares, 37% das coberturas são asseguradas por imóveis dados como garantia.

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