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Deutsche Bank desvaloriza mais de 50% desde janeiro

Desmentidos e venda de seguradora ajudam a segurar cotação do banco alemão. Mas Deutsche Bank já desvalorizou mais de 14 mil milhões de euros este ano

In: Dinheiro Vivo, 29 setembro 2016

https://www.dinheirovivo.pt/banca/deutsche-bank-desvaloriza-mais-de-50-desde-janeiro/

 

Ontem foi mais um dia de alta intensidade para o Deutsche Bank, banco a que o FMI deu o título de “maior risco para a estabilidade mundial” em junho. O anúncio da venda de uma seguradora no Reino Unido por mil milhões de euros ajudou o gigante a recuperar ligeiramente do tombo nos mercados.

Mas ao mesmo tempo que era noticiada esta venda, o jornal “Die Zeit” dava igualmente conta de que o governo alemão tem um plano para resgatar a instituição, plano que avançará caso o Deutsche não consiga levantar capital suficiente para saldar as multas que lhe foram aplicadas nos Estados Unidos.

O plano tem duas fases: primeiro avançaria a venda de ativos do banco, ativos que receberiam garantias do Estado, Segundo o jornal. Caso não fosse suficiente, seguir-se-ia o resgate por parte dos contribuintes, com o Estado a tomar até 25% do capital e, provavelmente, a colocar a instituição em rota de fusão com o Commerzbank – onde o governo já detém 15%. Mas esta segunda fase colocaria o Deutsche Bank à mercê das regras europeias que obrigam à partilha de perdas com privados em caso de intervenção pública.

A notícia do “Die Zeit” foi rapidamente negada pelo Ministério das Finanças alemão, que negou ter ou estar a preparar um resgate. “A notícia é falsa”, garantiu o gabinete de Wolfgang Schaüble. A mesma ideia foi também veiculada pelo CEO do banco ao “Bild”, com John Cryan a assegurar que “em nenhum momento pedi ajuda à chanceler”.

Os desmentidos e a venda da seguradora acabaram por reforçar alguma confiança no banco, com as ações a fecharem o dia em terreno positivo ainda que este “positivo” seja relativo: mesmo com a recuperação de ontem, o valor do banco em bolsa já caiu 52% desde o início do ano. Se no início de 2016 o banco valia 30 mil milhões, agora não chega a 15 mil milhões.

Risco sistémico

“O problema da banca é que, ao contrário de outros negócios em que quando cai uma empresa as outras ganham quota, na banca quando cai um banco, todos os outros são negativamente afetados, porque a banca vive da confiança”, comentou João Pereira Leite, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, ao DN/Dinheiro Vivo.

“A notícia da multa aplicada nos EUA, equivalente à capitalização bolsista do Deutsche e o comentário do membro do Reserva Federal acerca da insuficiência de capital, vieram acentuar os comentários dos analistas que identificavam um peso excessivo dos derivados face ao balanço do banco alemão.” O Deutsche foi condenado a pagar 14 mil milhões de dólares às autoridades norte-americanas por abusos e fraudes relacionadas com o “subprime”. Além disso, o banco apenas tem aprovisionados 6,1 mil milhões de euros, perto de metade do valor da multa.

“Tudo isso precipitou maiores cautelas em relação a um aumento de capital. O Deutsche Bank precisa de uma injeção de capital, que pode ser feita pela via acionista, através de um aumento de capital”, explicou João Pereira Leite. “Até à data, acredita-se que as necessidades de capital podem ser supridas, caso contrário estaríamos prestes a enfrentar uma hecatombe maior ; que a provocada pela queda da Lehman”, diz o diretor do Carregosa. Que realça: “Ninguém acredita que seja aplicado ao Deutsche Bank o mesmo que foi aplicado em Portugal, a Resolução”.

Draghi responde à Alemanha

Ontem o dia ficou ainda marcado pela presença de Mario Draghi no parlamento alemão, onde fez a defesa da política monetária do BCE.

Aos deputados alemães, Draghi defendeu que “a política monetária não é o principal fator da baixa rentabilidade da banca”, respondendo às críticas da manutenção da taxa de juro em valores mínimos. “Os que culpam o BCE da performance de algumas empresas financeiras alemãs têm sido muito vocais mas esquecem-se de que muitos bancos foram capazes de mais do que ultrapassar o efeito da queda das receitas”. E rematou: “A baixa rentabilidade está muito ligada à eficiência operacional.”

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