Saltar para o conteúdo

6 Agosto 1945. Os 70 anos da bomba que podia ter caído na Europa

Photographic Prints of Atomic Bomb Preparations at Tinian Island, 1945 - 1945

Enola Gay after strike at Hiroshima, entering hard-stand

“Senhores, conservem-se sentados nos seus lugares, por favor. Tenho uma comunicação importante a fazer-vos. Acabámos de lançar sobre o Japão uma bomba que tem mais poder do que 20.000 toneladas do poderoso explosivo TNT. Foi realmente um êxito esmagador que acabámos de obter.” Seguiram-se minutos de aplausos e de aclamações. Os EUA tinham acabado de usar “a mais poderosa e tremenda arma de guerra de todos os tempos”.

“Graças a Deus, a Alemanha não conseguiu primeiro do que nós o êxito das investigações.” A frase, dita por Churchill na primeira declaração após o ataque atómico norte-americano a Hiroshima, foi uma ideia muito repetida na altura. Harry Truman, presidente dos EUA, alinhou pelo mesmo quando anunciou aos seus oficiais o lançamento da bomba: “Se os cientistas nazis tivessem sido bem sucedidos em aperfeiçoar a bomba atómica, os Estados Unidos e os seus aliados teriam perdido a guerra.”

Mas a possibilidade da bomba cair sobre a Europa não vinha apenas dos nazis. Também os EUA terão ponderado esse cenário. “Se a tivéssemos tido [antes], a guerra teria sido abreviada 6 a 8 meses. Podíamos mesmo nem ter tido o dia D”, chegou a comentar o general Carl Spaatz, comandante das forças aéreas estratégicas do Pacífico, na conferência de imprensa sobre o ataque, já no dia seguinte ao mesmo.

Photographic Prints of Atomic Bomb Preparations at Tinian Island, 1945 - 1945

Little Boy unit on trailer cradle in pit

Os efeitos da bomba libertada sobre Hiroshima foram descritos pelos pilotos numa conferência de imprensa no dia seguinte: “A viagem correu sem incidentes. Largámos a bomba, por visão, exactamente às 9 e 15 (hora japonesa) e saímos da área dos objectivos o mais rapidamente possível para evitar o efeito da explosão. Uma terrível nuvem de fumo adensou-se sobre Hiroshima, ocultando-a inteiramente. Quando sentimos a explosão, foi como se sentíssemos mesmo junto a nós o rebentar da artilharia antiaérea. Estiemos sobre a área dos objectivos durante dois minutos”. Paul W. Tibbets foi o piloto da “SuperFortaleza” que no dia 6 de Agosto (no Japão, dia 5 nos EUA) lançou a primeira bomba atómica. Foi imediatamente condecorado com a Medalha de Voos Distintos dos EUA.

William Parsons, capitão da Esquadra Americana e que também participou na missão, acrescentou: “Tudo o que se passou foi tremendo e encorajador. Depois de ter sido largada a bomba, ainda sentimos o choque que nos fez abalar. Os homens que se encontravam comigo exclamaram: ‘Meu Deus!’. Hiroshima estava transformada numa montanha de fumo. A centenas de metros do terreno, o fumo era como que um imenso cogumelo cobrindo a cidade.”

No fundo, e como sintetizaria pouco mais tarde uma agência noticiosa: “As descrições dos resultados do ataque levam os observadores a supor que Hiroshima deixou de existir.”

Era o corolário de uma bomba cujo desenvolvimento custou mais de dois mil milhões de dólares e envolveu 65 mil pessoas num projecto secreto, segundo o próprio Truman. “We are now prepared to obliterate more rapidly and completely every productive enterprise the Japs have above ground in any city. We shall completely destroy Japan’s power to make war.”

Os efeitos da bomba provavam isso mesmo: “Uma temperatura comparável à provocada por um astro produziu-se quando a bomba atómica explodiu no coração de Hiroshima, onde continuam a lavrar incêndios (…). Literalmente tudo quanto existia com a excepção das estruturas de cimento armado que se supõe que constituam abrigos antiaéreos ficou completamente destruído”, escrevia a Reuters. “Uma emissão da rádio de Tóquio captada em Nova York diz que a bomba atómica matou todos os seres vivos – humanos e doutra espécie – em Hiroshima”, acrescentaria mais tarde.

E ainda os japoneses tentavam perceber o que tinha acontecido em Hiroshima e já Nagasaqui – e outros –  estava em preparação: “Henry Stimson, ministro da Guerra, anunciou que nas ilhas do teatro de guerra do Pacífico se encontra pousado um determinado número de SuperFortalezas Voadoras, carregadas com bombas atómicas capazes de destruir por completo não só uma cidade japonesa, mas dezenas delas e todo o Japão, se necessário for.” Não foi necessário, bastou destruir mais uma cidade.

Photographic Prints of Atomic Bomb Preparations at Tinian Island, 1945 - 1945

Fat Man unit being placed on trailer cradle in front of Assembly Building #2

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: