60% da dívida acumulada entre 2010 e 2014 foi contraída só para pagar juros
Entre 2010 e 2014, a dívida pública portuguesa aumentou 32,5 pontos percentuais face ao produto interno bruto (PIB), de 96,2% do PIB para os 128,7% registados no final do ano passado. Em termos reais, falamos em qualquer coisa como mais 55,3 mil milhões de euros de novas dívidas naquele período. E qual a rubrica mais responsável por este crescimento? Os juros cobrados pelos credores a Portugal por essa mesma dívida, cujo preço dos empréstimos foi responsável por 60% do aumento do valor em dívida entre 2010 e o ano passado.
O custo dos juros e o nível de pressão que este impõe sobre o aumento da dívida pública – obrigando-a a crescer mais, elevando assim ainda mais o que se paga em juros, o que reforça o ritmo de crescimento da dívida, e por aí fora – foram divulgadas pelo Conselho de Finanças Públicas, liderado por Teodora Cardoso (CFP), no relatório “Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2015-2019”. Segundo o relatório, “entre 2010 e 2014 o rácio da dívida agravou-se em 32,5 p.p. do PIB. O factor explicativo com maior contributo foram os juros, que explicam 19,2 p.p. daquele acréscimo”. Portugal gasta anualmente pouco mais de 4% do PIB só a saldar juros com os credores – bancos, fundos ou troika –, ou seja perto de sete mil milhões de euros, sendo que nenhum destes euros serve para reduzir a dívida ou para dinamizar e/ou desonerar a economia.
Ainda em relação à dívida, nas previsões a médio prazo dadas a conhecer pelo CFP, este organismo apresenta projecções para a evolução do endividamento do país algo diferentes do executivo: se tudo correr bem, a dívida pode recuar até 121,9% em 2018, ano em que o governo antecipava ter uma dívida de 114%.
in: Jornal i, 19 Março 2015