OPA. Mexicanos exigem que Espírito Santo Saúde fique no Novo Banco

Angeles oferece 4,3 euros por acção, o que valoriza a empresa ainda controlada pelo Grupo Espírito Santo (GES) em 411 milhões de euros. Mexicanos querem pelo menos 50,01%
 

O maior grupo de saúde privado mexicano lançou ontem uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o maior grupo privado de saúde português.

O Grupo Angeles – Servicios de Salud oferece 4,3 euros por cada acção da Espírito Santo Saúde. Mas impõe algumas condições para o sucesso da oferta, entre elas a obtenção de pelo menos 50,01% do capital da empresa portuguesa e a transmissão definitiva para o Novo Banco, entidade que resultou do Banco Espírito Santo (BES), de “todas as posições activas e passivadas que a sociedade visada e cada uma das suas subsidiárias detinham” no BES, nomeadamente depósitos em numerário, depósitos mobilizáveis e outras aplicações de tesouraria.

A Espírito Santo Saúde (ESS), a principal empresa não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), pode ser a primeira sociedade do universo GES a encontrar comprador na sequência da crise que abalou o grupo. A maior accionista com 51% do capital é a Rioforte, holding cuja sede em Luxemburgo está sob gestão controlada para protecção de credores. Na calha para alienação, mas fora de bolsa, estão outras empresas emblemáticas do GES, como a seguradora Tranquilidade cuja alienação já recebeu luz verde do Instituto de Seguros de Portugal, e a cadeia de hotéis Tivoli. O processo de alienação da Espírito Santo Saúde arrancou este ano com abertura em bolsa de 49% do capital da sociedade que gere o Hospital da Luz. As acções da Espírito Santo Saúde têm mostrado grande resistência ao colapso do seu maior accionista, tendo acumulado ganhos.

O preço oferecido pelo grupo mexicano reflecte essa valorização. O comunicado do lançamento da OPA diz que a contrapartida representa um prémio de 34% face ao preço da oferta inicial em bolsa, de 18,85% em relação à cotação média dos últimos seis meses e de 9% em relação à ultima cotação.

O preço valoriza a empresa em cerca de 411 milhões de euros, mas o Angeles só precisará de investir cerca de 192 milhões de euros para atingir o limiar mínimo de sucesso da OPA. O grupo detém já 3,32% da Espírito Santo Saúde, incluindo acções controladas por Olegário Vásquez Aldir e Olegário Vásquez Raña, respectivamente vice-presidente e presidente do grupo.

Para além das condições impostas pelo oferente, a eficácia da oferta fica sujeita à e aprovação do Estado português, designadamente no que diz respeito às sociedades gestoras do Hospital de Loures, que estão envolvidas num contrato de PPP (parceria público privado). Outras autorizações previstas são as de empresas de seguros privados e subsistemas de saúde privados ou públicos que têm contratos com as unidade de saúde da empresa portuguesa.

A ESS gere 18 unidades, entre os quais nove hospitais, e tem quase nove mil colaboradores.

O lançamento da OPA parte do pressuposto de que não existem acordos, contratos ou instrumentos que tenham impacto significativo na situação patrimonial da empresa. A gestão liderada por Isabel Vaz, em cuja equipa o grupo mexicano mantém a confiança. A administração terá de se pronunciar sobre a oferta, vendo entretanto o seu raio de actuação. Não pode comprar ou vender activos superiores a um milhão de euros, nem emitir títulos num valor superior a 10 milhões de euros.

Os mexicanos admitem retirar a Espírito Santo Saúde da bolsa se atingirem 90% do capital com esta oferta cujo principal intermediário financeiro é o BBVA Portugal.

As acções da Espírito Santo Saúde foram suspensas ontem antes do fecho do mercado, mas sua negociação é retomada hoje.

in: Jornal i, 20 Agosto 2014