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Recuperação tantas vezes prometida continua aos solavancos

Hoje Passos Coelho fala no Pontal, local onde prometeu em 2012 a retoma “para o ano que vem”. Mas esta continua a fazer-se esperar

Seis meses depois, Portugal voltou a Dezembro de 2013. Depois de no primeiro trimestre do ano a economia ter contraído 0,6%, no segundo trimestre cresceu 0,6%, fazendo o país voltar à estaca zero este ano.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem os números provisórios para a evolução da economia no segundo trimestre do ano, dados que apontam para um crescimento de 0,6% no produto interno bruto (PIB) face aos primeiros três meses do ano, período em que o PIB caiu 0,6% em comparação com o último trimestre de 2013. Apesar do regresso ao crescimento trimestral entre Abril e Junho, em termos homólogos os números apontam para alguma perda de fulgor económico.

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Segundo os valores agora apresentados pelo INE, a economia portuguesa cresceu 0,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, uma evolução que compara com a variação positiva de 1,3% observada no primeiro trimestre, em comparação também com idêntico período de 2013. Mas também na variação trimestral há sinais preocupantes.

“A subida de 0,6% em cadeia é o que mais se destaca nesta estimativa rápida [do INE]”, começa por salientar a IMF – Informação de Mercados Financeiros. “Mas deve ter-se em atenção que a evolução do PIB em Portugal continua a ser influenciada pelas flutuações das exportações. A concentração de um grande volume de exportações em algumas grandes empresas faz com que as variações de vendas de uma empresa em concreto tenham grande impacto nos números finais”, refere a consultora financeira. “Apesar de ser um número positivo e melhor que o esperado, não revela um forte incremento da actividade. Não há sinais, por exemplo, de que o consumo interno e o investimento estejam a acelerar”, alerta ainda a IMF.

Ainda sobre a dependência portuguesa dos ventos da exportação, e também da contenção das importações pela via dos cortes nos rendimentos através da austeridade, a IMF lembra que “no primeiro trimestre, o abrandamento das exportações (muito devido à flutuação de produção na refinaria de Sines) tinha resultado num número do PIB pior que o esperado. Neste trimestre temos a situação inversa”. Ou seja, no fundo nada mudou ou melhorou, tirando a refinaria de Sines, que voltou a operar.

Os números preliminares do INE para o segundo trimestre estão, no entanto, em linha com o que foi previsto esta semana por algumas casas de análise, que previam um crescimento trimestral do PIB entre os 1% e os 0,2%.

“Sinais erráticos” Apesar de reconhecer que “parece agora mais claro que a recuperação da economia portuguesa está em curso”, o núcleo de estudos da Universidade Católica alerta também para o “comportamento algo errático”, marcado por “muitos efeitos pontuais que dificultam” uma interpretação mais clara dos altos e baixos do PIB.

Os analistas da UCP salientam que o comportamento conseguido no segundo trimestre face ao período anterior representa “o segundo crescimento mais elevado desde o segundo trimestre de 2013”, lembrando que até foi “um dos maiores da zona euro” [ver texto ao lado]. Mas uma coisa são os números, outra o que estes podem esconder. O núcleo da Católica salienta que os valores do PIB devem “ser relativizados”, pois “há ainda um longo caminho a percorrer até se atingirem, de novo, os níveis do PIB de 2010”, ou seja antes da crise da dívida e da banca e do início do programa da troika.

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Previsões O governo ainda não avançou com qualquer alteração à última previsão de crescimento económico. O Documento de Estratégia Orçamental antecipava em Abril uma evolução anual do PIB de 1,2% durante 2014 – valor que implicou uma revisão em alta face aos 0,8% que o executivo previa no Orçamento do Estado para este ano. Porém, depois da desilusão do primeiro trimestre, tanto o Banco de Portugal como a Comissão Europeia reviram em baixa as suas previsões para a economia nacional, de 1,2% para 1,1% no caso do banco central, e de 1,2% para 1% no caso de Bruxelas.

in: Jornal i, 15 Agosto 2014

 

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