As três aeronaves da família E2 deverão estar no mercado em 2018e representam a mais forte aposta da Embraer para o futuro

Évora poderá ficar responsável pelo fabrico de alguns componentes para os aviões de nova geração em que a Embraer está a apostar o seu futuro. “Temos intenção de levar estruturas significativas da nova geração de aviões comerciais [os E2] lá para Évora. É um movimento no futuro, mas que faz todo o sentido, pois são aviões grandes, de estruturas complexas, mas em que Évora com a sua especialidade e tecnologia é perfeitamente adequada”, avançou ontem Mauro Kern, vice-presidente da fabricante brasileira.
A nova geração de aviões comerciais da Embraer são os E2, com o grupo brasileiro a apresentar três diferentes aeronaves nesta nova geração: o E175-E2, com um alcance de 3556 quilómetros, e configurações entre os 80 e os 88 lugares; o E190-E2, com alcance de 5186 quilómetros e entre 97 e 106 lugares; e por fim o E195-E2, 3 704 quilómetros e 118 a 132 lugares. A fabricante estima que os aviões estejam no mercado em 2018.
Kern salientou também que estas aeronaves são “algo muito importante para a Embraer”, que espera que esta aposta represente “um fortalecimento da empresa no mercado da aviação comercial ao longo de muitos anos”. Logo, “sendo Évora o nosso centro de excelência em estruturas, estamos a considerar fabricar lá partes importantes destes aviões”, frisou depois de uma visita à fábrica da Embraer no Brasil de Pires de Lima, ministro da Economia.
A fabricante brasileira de aviões tem uma forte presença em Portugal. Além da OGMA, onde entrou durante a privatização de 2005, a Embraer criou em Évora duas fábricas num investimento de aproximadamente 180 milhões de euros, onde têm sido construídas peças para o novo avião executivo Legacy 500 e para o avião militar KC-390.
“Portugal é um dos principais parceiros deste avião [KC-390] e queremos vê-lo voando pelos céus da Europa também”, disse Kern, citado pela Lusa. Os investimentos da empresa em Évora contam desde Março com um centro de engenharia e tecnologia que deverá começar a operar no segundo semestre do ano.
OGMA: “Muito positivo” O vice-presidente da fabricante falou ainda da aposta na OGMA, tendo realçado os resultados muito positivos que a Embraer tem conseguido com esta aposta. “Portugal é um grande parceiro, um parceiro estratégico hoje para a Embraer”, salientou, justificando assim a decisão da empresa de “depender cada vez mais no futuro destes centros de excelência em Portugal. As grandes estruturas dos aviões passam a ser produzidas em Portugal e a empresa está a começar também com iniciativas de pesquisa e desenvolvimento no país”, concluiu Mauro Kern.
Já o ministro da Economia salientou estar satisfeito com o investimento da Embraer em Portugal “em vez de investir noutros países”. Sobre se Portugal irá retribuir tornando-se cliente do KC-390, o ministro já não se quis comprometer, chutando a resposta para a Força Aérea e para o ministro da Defesa.
in: Jornal i, 19 Junho 2014