Companhia cancelou vários voos no Recife desde 12 de Junho. Governo de Pernambuco proíbe venda de passagens pela TAP e aplica multa de 400 mil reais à companhia

A TAP foi proibida de vender passagens para viagens a partir de Pernambuco durante cinco dias, numa decisão tomada este domingo pelo ramo de defesa do consumidor (Procon) do governo daquele estado. Em causa os “constantes cancelamentos e atrasos de voos da companhia aérea TAP, que desde o último dia 12/06 vem remarcando o voo TT16 e na tarde deste domingo (15) cancelou mais um voo, o TT14”. A explicação surge no comunicado divulgado pelo Procon. Além da proibição de venda, a TAP vai ser ainda multada em cem mil reais (33 mil euros) por cada voo cancelado.
A rápida reacção das autoridades brasileiras surge porque esta não é a primeira vez que a TAP é alvo de queixas relacionadas com a qualidade do serviço que presta no Recife. Solange Ramalho, gerente de fiscalização do Procon, ouvida pelo “Diário de Pernambuco”, salientou que a transportadora portuguesa é reincidente “em vender o que não pode e a situação está insustentável”. “A TAP não vem prestando a devida informação aos passageiros sobre o motivo dos cancelamentos e atrasos dos voos. Aproximadamente 135 passageiros estão sendo prejudicados”, detalha por seu turno o comunicado do Procon. As viagens afectadas até ao momento foram o voo “que sairia na quinta-feira 12/06, às 23h”, que só saiu “15/06, às 12h”, o voo “que sairia a 15/06, às 21h15, e foi cancelado” e também o voo desta segunda-feira. “Além da proibição de vender novas passagens, a TAP receberá multas pelas infracções cometidas”, refere o Procon, que já avançou que o grupo TAP será multado em aproximadamente 100 mil reais por voo, até um total que pode chegar aos 400 mil reais – 132 mil euros.
Contactada pelo i, a TAP avançou, em relação às possíveis coimas, que “o assunto está entregue aos nossos serviços jurídicos”. Sobre a razão para esta sucessão de cancelamentos e atrasos, a companhia portuguesa aponta a conjugação de “dificuldades anormais e não previstas”, como o avião da TAP que recentemente ficou atolado na relva no aeroporto de Belém e que continua fora de operação, mas também o próprio aumento do tráfego “entre a Europa e o Brasil”, que está por estes dias “muito intenso devido ao futebol”. “A existência de voos extra torna mais difícil resolver situações ocasionais de frota.”
A companhia portuguesa assegurou ainda ao i que “todos os passageiros dos voos afectados até ontem [domingo] por atrasos foram encaminhados e protegidos. Quanto aos passageiros do voo de hoje [ontem] serão integralmente protegidos no voo de amanhã [hoje] no seu horário”.
Sobre o avião que ficou atolado na relva do aeroporto de Belém, Manaus, incidente ocorrido no início da semana passada, a TAP assegurou que este realizou durante o dia de ontem um voo de ensaio que, correndo de feição, irá resultar no regresso do avião a Lisboa a breve prazo, voltando à operação assim que possível. A companhia aérea portuguesa apostou nos últimos anos num forte crescimento da oferta, baseado mais no aumento das horas de voo por avião do que num aumento do número de aeronaves.
in: Jornal i, 17 Junho 2014