Saltar para o conteúdo

Exportações. Governo insiste em só olhar para um peso da balança

Paulo Portas volta a criticar FMI e a puxar para si os louros da subida das exportações. Mas o problema está sobretudo nas importações
(c) Rodrigo Cabrita

Paulo Portas, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e actual vice-primeiro-ministro, quis ter ontem a última palavra sobre as exportações, mesmo que tenha sido para dizer mais do mesmo: “Há quatro anos que as exportações sobem. Isso fala por si.”

Foi desta forma que Portas tentou abordar os alertas deixados por FMI e Comissão Europeia sobre a evolução da balança comercial portuguesa, ainda que ignorando os pontos focados por esses mesmos alertas. “As exportações ultrapassaram as previsões do FMI”, quis antes deixar como frase-chave para aparecer nas televisões. “Os dados são estes, mais 4,9% de exportações em bens, mais 7,7% em serviços, aumento da quota de mercado, aumento do número de exportadoras, maior peso no PIB de sempre”, sublinhou ainda o governante e eterno líder do CDS, numa conferência de imprensa realizada pelo AICEP para voltar a vender aos  media os resultados das exportações em 2013.

O elogio de Paulo Portas à subida das exportações de serviços, cuja subida de 7,7% não foi qualquer novidade para o FMI nem para Bruxelas, ignorou no entanto os alertas daquelas instituições sobre o comportamento das vendas de serviços. Como avançou o FMI na última semana, o salto nas vendas de serviços deve-se em parte à maior afluência de turistas a Portugal, que tem servido de alternativa a todos aqueles que normalmente fazem férias no Norte de África, razão pela qual a subida não deve ser vista como algo que irá permanecer a médio ou longo prazo. Sobre este alerta, Portas nada disse.

“É pouco?! É bastante!”, preferiu salientar Portas sobre o comportamento das exportações portuguesas em 2013. “Estes valores ultrapassam em muito muitas estimativas, por exemplo do FMI, que era de 2,9%”, tentou sentenciar o governante. Contudo, no final de 2012, o FMI antevia um crescimento de 3,5% nas exportações portuguesas em 2013, tanto quanto o governo de Paulo Portas – que na altura ainda tinha a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Dois outros aspectos que o governo continua sem abordar quando olha para a relação da economia portuguesa com o exterior são as importações e os produtos que Portugal está a exportar mais, precisamente os outros dois alertas deixados por Bruxelas e FMI. Estes organismos salientaram na semana passada que Portugal está cada vez mais dependente de vendas que não só não têm efeito reprodutivo na economia como estão a chegar ao seu limite – os combustíveis, cuja capacidade produtiva em Portugal está prestes a ser atingida. Sobre isto nada foi dito ontem na conferência sobre exportações.

Já em relação às importações, que superaram em muito as previsões do governo, e que são também motivo de preocupação para o FMI, pois as compras ao exterior estão a crescer mais que o previsto e deverão continuar nesse sentido, Portas nada disse. Antes puxou por outro assunto, as exportações. Segundo o governante, estas valeram no ano passado 41% do PIB, o maior valor de sempre. Contudo, é de referir que o PIB português já caiu 7,6 mil milhões de euros (4,4%) desde 2010.

in: Jornal i, 26 Fevereiro 2014

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: