Governo falha meta para défice comercial por 1500 milhões

Plano do executivo previa redução de 3080 milhões no défice comercial. Corte ficou-se pelos 1630 milhões

As previsões do governo para a evolução da balança comercial portuguesa saíram furadas em 2013, tendo sido esta uma das razões de o executivo ter avançado com mais austeridade que a esperada e mesmo assim terminar o ano com um défice superior ao previsto. Em relação às projecções feitas para a evolução das exportações e importações no ano passado, Portugal falhou as metas por 1450 milhões de euros, segundo cálculos do  i tendo por base os números ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nas contas do governo PSD/CDS, a estratégia de empobrecimento da população ia permitir continuar a estrangular o consumo das famílias residentes em Portugal, forçando nova redução das importações depois da queda de 5,2% de 2012. Contudo, foi mais uma previsão falhada. Se as previsões para a evolução das importações em 2013 apontavam para uma redução das compras ao exterior de 1,7%, ou seja, uma redução de 954 milhões de euros, limitando as importações aos 55,28 mil milhões de euros, estas acabaram por evoluir em sentido contrário: no total do ano, a economia portuguesa comprou mais 0,8% ao exterior, ou seja, mais 451 milhões de euros, tendo fechado 2013 com uma factura total de 56,6 mil milhões em importações, segundo dados do INE. Ao nível das compras ao estrangeiro, o fecho das contas ficou assim 1405 milhões de euros acima do previsto – os 954 milhões de quebra esperada transformaram-se numa subida de 451 milhões de euros.

Já a nível das exportações o ano correu mais dentro do esperado pelo executivo. No início de 2013 foi estimado que as vendas ao exterior iriam crescer 4,7% e estas terminaram o ano com uma subida de 4,6%, uma diferença que se traduz em menos 45 milhões de euros de bens ou serviços exportados ao longo de 2013. Se o governo apontava para um encaixe total de 47,45 mil milhões de euros com exportações, estas ficaram pelos 47,34 mil milhões – o que compara com os 45,3 mil milhões de 2012 -, de acordo com os valores ontem avançados pelo Instituto Nacional de Estatística sobre o comércio internacional de bens em Portugal.

Melhoria ficou 50% aquém Considerando que o governo estimava uma quebra de 954 milhões de euros nas importações e um salto de 2126 milhões nas exportações ao longo de 2013, então as projecções do executivo anteviam uma redução de 3080 milhões de euros no défice comercial português apenas no ano passado. Porém, como as exportações cresceram 2081 milhões e as importações não só não caíram como até cresceram, conclui-se que a balança comercial portuguesa apenas percorreu 53% do caminho que o governo previa que percorresse ao longo de 2013: a melhoria de 3080 milhões projectada por PSD/CDS para o ano passado ficou-se pelos 1630 milhões de euros.

A diferença entre os valores não é de somenos, já que significou uma derrapagem de quase um ponto percentual do produto interno bruto no défice da economia portuguesa em 2013: ao fechar as contas do comércio com o exterior com um ganho de 1630 milhões face a 2012, e não de 3080 milhões, como foi equacionado, falamos de um rombo a rondar os 0,9% do PIB só nesta rubrica – isto quando a estratégia da troika e do governo PSD/CDS assenta essencialmente em aumentos de impostos e em melhorias expressivas e anuais do saldo da balança comercial portuguesa. Só em 2012, por exemplo, esta rubrica ajudou as contas públicas com um ganho de 5500 milhões de euros, valor que em 2013 se ficou então pelos 1630 milhões.

As vendas de combustíveis para o exterior continuaram a ser no ano passado um dos principais impulsionadores das exportações portuguesas, com um crescimento de 28%, tendo sido responsáveis por quase 10% das vendas totais de Portugal ao exterior, um peso que vem em crescendo desde 2009. Contudo, como a própria Galp reconhece, em 2014 o cenário pode mudar, já que a retoma da procura de combustíveis no mercado interno poderá obrigar a empresa a desviar recursos das exportações, pois já tem as refinarias perto da plena capacidade.

in: Jornal i, 11 Fevereiro 2013