Transportes. Governo elogia equipa de gestão que despediu na Carris

Vimeca assume interesse em todas as concessões ou privatizações nos transportes

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A Carris “é uma empresa saudável”, saudou ontem Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, referindo-se aos resultados da companhia nos últimos anos. “Do ponto de vista operacional, a Carris consolidou-se nos últimos anos como nunca se tinha consolidado anteriormente”, acrescentou o governante, rematando com um “enorme agradecimento e apreço por todo o trabalho feito por Silva Rodrigues na Carris, nos últimos anos.”

Um trabalho excelente que, contudo, resultou no despedimento de Silva Rodrigues, a quem Sérgio Monteiro acusa de ter tomado “duas decisões que se comprovou não serem as mais adequadas”, referindo-se à polémica dos swaps que levou o governo a actuar decididamente contra gestores e também governantes de segunda linha, enquanto outros ficaram por responsabilizar. De sublinhar que Silva Rodrigues, que liderou a Carris nos últimos dez anos, rotulou a sua demissão de “injusta e injustificada”, fruto de “um processo sumário, inadequadamente fundamentado e explicado”.

Vimeca quer concessões Sérgio Monteiro fez ontem questão de marcar presença no 141.º aniversário da Carris, oportunidade que voltou a aproveitar para culpar a fraude pela queda interminável na procura pelos transportes públicos, sem referir os aumentos de mais de 30% dos preços desde a tomada de posse do executivo. Monteiro falou ainda de mais uma das medidas do governo constantemente adiada, no caso as concessões a privados dos transportes públicos. Estas, disse, “serão atribuídas a privados apenas e só se os privados demonstrarem que são capazes de operar com maior eficiência do que o Estado”.

Segundo a “Transportes em Revista“, a transportadora Vimeca é uma das empresas interessadas em concorrer a todas as concessões ou privatizações de transportes a serem lançadas pelo governo. A Vimeca deu conta deste interesse ao Ministério da Economia através de uma carta em que, segundo a mesma revista, formaliza também o interesse em concorrer à privatização da linha de Cascais. Mas nem nisto o secretário de Estado conseguiu escapar sem ser criticado: “Dado que até ao momento não fomos contactados pelo governo, nem por qualquer empresa credenciada para esta consulta, decidimos formalizar, através desta missiva, todo o nosso interesse em concorrer à privatização da linha da CP de Cascais”, lê-se na carta.

in: Jornal i, 19 Setembro 2013