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Balança comercial. Estratégia de empobrecimento não está a dar frutos

Empobrecimento generalizado da população para forçar queda das importações não está a resultar. Cenário que impede maior queda do PIB este ano cada vez mais longe
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A estratégia da troika e do governo para a balança comercial não visa apenas as exportações, isto apesar de serem recorrentes as intervenções governamentais a elogiar o comportamento das vendas portuguesas ao exterior. Entende-se porquê: as exportações estão a subir, logo é fácil de promover que está tudo a correr bem e que as políticas são um sucesso. Mas, volvidos sete meses de 2013, nada mais falso. As exportações estão a subir menos que o previsto, as importações estão na mesma, apesar da política de empobrecimento seguida nos últimos anos e, como resultado, os ganhos na balança comercial estão longe do que foi previsto para um cenário de contracção de 2% do produto interno bruto (PIB).

As últimas previsões do Banco de Portugal para o comportamento da economia portuguesa este ano apontam para uma contracção de 2% do PIB, estando este cenário sustentado num aumento de 4,7% nas exportações e numa quebra de 1,7% nas importações, no total do ano. Tais variações significariam uma melhoria de 3080 milhões de euros na balança comercial portuguesa em 2013, em comparação com o que ocorreu em 2012.

Nem um terço do objectivo em 7 meses No final de Julho, porém, a economia portuguesa estava bem longe daquelas previsões. Números divulgados pelo INE e ontem confirmados pelo Eurostat mostram que a balança comercial está numa trajectória preocupante face às previsões: Entre Janeiro e Julho, as exportações subiram menos que o ritmo previsto para o ano – salto de 3,4% até agora, de 27,1 mil milhões para 28 mil milhões – e as importações permaneceram inalteradas até Julho, contra a queda de 1,7% que se espera no total do ano. Pondo as coisas de outra forma: nos primeiros sete meses de 2013, a balança comercial portuguesa melhorou em 938 milhões de euros, isto quando o cenário de uma queda de apenas 2% do PIB tem por base uma melhoria de 3080 milhões de euros no total do ano – em sete meses, apenas se atingiu 30,5% do objectivo, portanto.

Em termos de importações, e entre Janeiro e Julho deste ano, a economia portuguesa comprou exactamente o mesmo que no mesmo período de 2012: se até Julho de 2012 foram comprados 33 041 milhões ao exterior, este ano o valor ficou-se pelos 33 040 milhões. A variação das importações foi, assim, praticamente nula de Janeiro a Julho.

O falhanço até agora da política desenhada para as exportações e importações portuguesas poderá justificar a urgência das novas rondas de austeridade em preparação, já que este tipo de medidas traz frutos de duas frentes: por um lado, traz mais dinheiro para o governo, mesmo que através de menos despesa com salários e pensões e, por outro lado, acaba por obrigar os residentes em Portugal a consumir menos, reduzindo as importações. Ironicamente, e apesar da política de empobrecimento do governo e da troika, tem sido o comportamento melhor que o previsto do consumo interno este ano que tem aguentado o PIB português.

Destaque ainda para o facto de a aguentar o crescimento das exportações portuguesas estarem os combustíveis e lubrificantes, responsáveis por 75% das vendas da economia ao exterior – de Maio a Julho vendemos 12,4 mil milhões de euros ao exterior, dos quais 9,35 mil milhões eram daqueles produtos.

in: Jornal i, 18 Setembro 2013

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