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Estado está a arrecadar mais 47% de IRS por trabalhador

“A crise tem sido mais forte porque as pessoas gastaram menos do que previmos”, queixou-se ainda esta semana Passos Coelho. IRS afoga trabalhadores
.

À medida que os meses vão passando, o “enorme aumento de impostos” que Vítor Gaspar impôs aos rendimentos dos trabalhadores em Portugal fica cada vez mais evidente. Até Junho, a cobrança de IRS em Portugal disparou 38,8%, de 3,65 mil milhões para 5,06 mil milhões de euros, sendo esta a única rubrica da execução orçamental que vai sustentando as contas públicas dentro do limite imposto pela troika.

Considerando que entre 2012 e 2013, segundo os últimos dados, o total de trabalhadores em Portugal recuou 5,5%, isto implica que a receita de IRS por trabalhador explodiu 47% num único ano: os 3,65 mil milhões de euros conseguidos em IRS entre Janeiro e Junho de 2012, quando existiam 4,68 milhões, transformaram-se em 5,06 mil milhões de euros para um universo de 4,43 milhões de trabalhadores – ou seja, a receita média de IRS por trabalhador entre Janeiro e Junho passou assim de 778 euros em 2012 para 1143 euros em 2013. Isto num país em que os ordenados já estão 50% abaixo da média da UE27. Estes dados, que mostram o impacto do “enorme aumento de impostos” anunciado por Vítor Gaspar, respondem também à surpresa de Passos Coelho: o primeiro-ministro ainda esta semana atribuiu a dimensão da crise ao facto de os portugueses estarem “a gastar menos do que [governo] previmos”.

O aumento da receita de IRS surge não só pelo aumento das taxas, mas também pela sobretaxa que visou tirar aos trabalhadores o subsídio de Natal.

O apertão fiscal aos residentes em Portugal tem resultado numa forte contracção do consumo, que tem arrastado consigo uma quebra da receita do IVA (0,8% até Junho) e feito disparar o desemprego, saindo por estas vias bem caro ao Estado.

défice Apesar da violência imposta pela fome de financiamento do Estado, cuja receita de impostos subiu 9% até Junho, com o encaixe de mais 1,4 mil milhões entre Janeiro e Junho, o que fica para o registo é que nos primeiros seis meses do ano o défice das contas apenas melhorou 292 milhões face ao ano passado. Isto quando além do aumento da receita fiscal o Estado foi ainda buscar mais 410 milhões em contribuições para a Segurança Social.

Depois de nos primeiros seis meses de 2012 o Estado ter fechado as contas com 4,29 mil milhões de euros de défice, agora o valor caiu para 3,84 mil milhões, já que os contribuintes são chamados cada vez mais a apagar o fogo das contas públicas, a despesa continua a subir, com o Estado a precisar de mais 1,3 mil milhões de euros para se sustentar no primeiro semestre do ano – uma subida de 3,8%, para mais de 35 mil milhões. Nesta subida está incluída a subida das responsabilidades com o subsídio de desemprego, que custou mais 150 milhões.

Em relação aos objectivos impostos pela troika, salientou o governo em comunicado, o executivo devia chegar ao fim de Junho com um défice inferior a 6 mil milhões. As contas mostram um saldo 2,15 mil milhões de euros abaixo do objectivo.

in: Jornal i, 25 Julho 2013

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