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Bancos continuam a fechar a torneira do crédito às PME

Bancos aumentam total de empréstimos às famílias precisamente nos tipos de créditos em que o malparado é mais elevado

Os bancos continuaram em Abril a apertar a concessão de crédito às pequenas e médias empresas (PME) em Portugal, preferindo continuar a aumentar os empréstimos às grandes empresas e às famílias, especialmente onde estas falham mais: nos empréstimos com outros fins.

No total, a banca emprestou 4,5 mil milhões de euros em Abril, uma subida de 6% face a Março e de 5% face a Abril de 2012, uma evolução que esconde diferentes realidades do crédito. Nas empresas, o crescimento no crédito total foi de cerca de 5,4%, tanto face a Março como ao mesmo mês de 2012, um valor muito inflacionado pelas grandes empresas: estas levaram consigo 2,45 mil milhões de euros do bolo total, fruto de um crescimento de 10,9% e 9,56% face aos anteriores valores. Já para as PME a evolução foi a inversa: os bancos emprestaram menos 2,4% que em Março, uma queda que rondou os 37 milhões, para 1,5 mil milhões. Face a Abril de 2012, a queda foi de 1%.

As estatísticas do Banco de Portugal, ontem disponibilizadas, continuam assim a contradizer as inúmeras campanhas dos bancos em que estes anunciam a existência de várias centenas de milhões de euros para PME. Os dados chocam também com a postura do executivo, que há meses vem defendendo o aumento do crédito para as pequenas e médias empresas, reconhecendo mesmo que estas vivem “mais dependentes do crédito bancário” que as empresas de maior dimensão. Por ora, e nos primeiros quatro meses do ano, nada mudou.

No início de Junho, em nova operação de charme para o maior tecido empresarial do país, o governo desafiou a Caixa Geral de Depósitos a tornar-se líder na concessão de crédito às PME, isto depois de já em Abril ter defendido a melhoria das condições de acesso ao crédito pelas mesmas empresas.

Em relação às famílias, e segundo os mesmos dados, as instituições de crédito concederam 585 milhões de euros em Abril, uma subida mensal de 11% e de 3,4% em termos homólogos. Os em- préstimos para “outros fins”, como educação, energia ou para trabalhadores por conta própria, receberam a maior fatia, embora, ironicamente, sejam estes os empréstimos com a taxa de incumprimento mais elevada.

Malparado nos 7% Os valores do Banco de Portugal ontem revelados evidenciam também que o total do crédito malparado em Portugal continua a subir, tendo atingido no final de Abril os 16,6 mil milhões de euros, o equivalente a 7% do total dos empréstimos concedidos no país – um nível nunca antes visto.

A maior taxa de malparado reside nos créditos às empresas, com 10,92% de malparado, um valor que não pára de crescer. Já nas famílias, o incumprimento é sobretudo sentido nos empréstimos para outros fins, com 12,4% de malparado, superando já o do crédito ao consumo, em que a taxa de incumprimento ronda os 11,9% – contra os 12,26% de Março deste ano. Nos créditos à habitação, os valores do malparado estão em 2,11%.

in: Jornal i, 13 Junho 2013

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