Chipre. Ministro das Finanças lida mal com a crise por isso sai

O ministro das Finanças de Chipre, Michael Sarris, demitiu-se ontem do cargo que manteve por pouco mais de um mês, uma demissão que surge depois de ter sido fortemente criticado por ter lidado mal com a crise financeira que se abateu sobre o país, crise aliás parcialmente provocada pelo banco que Sarris liderou no último ano.

O agora ex-ministro terá perdido a confiança do presidente Nicos Anastasiades, eleito em Fevereiro, tendo esperado pelo final das negociações para o empréstimo internacional que Chipre irá receber para abandonar o cargo. A notícia foi avançada pelo diário “Ekathimerini” e, depois de inicialmente negada pelo executivo, acabou por ser confirmada ao início da tarde de ontem.

Michael Sarris no ano anterior a chegar a ministro das Finanças de Chipre foi presidente do Banco Popular, o Laiki, um dos responsáveis pela crise e já liquidado. “Demiti-me para facilitar o trabalho do comité de investigação desta crise quando forem estudar a falência do Laiki”, comentou o ex-ministro. Já Anastasiades não confirmou ter perdido a confiança em Sarris, corroborando antes a versão do ex-ministro: “A decisão [de Sarris] de demitir-se, por razões de responsabilidade política para facilitar o trabalho do comité de investigação, constitui um exemplo do novo enquadramento da vida política cipriota.”

Para o lugar de Sarris foi nomeado Harris Georgiades, até ontem ministro do Trabalho, que por seu turno foi substituído por Zeta Aimilianidou, a primeira mulher neste governo.

Ingleses safam-se a haircut Os cerca de 15 mil clientes com depósitos acima de 100 mil euros nos ramos britânicos do Laiki vão ficar a salvo do corte de até 60% das suas poupanças prometidas pelo Eurogrupo para os clientes daquele banco, anunciou ontem o Banco de Inglaterra.

George Osborne, ministro das Finanças britânico, já tinha assegurado na última semana que o governo estava a tentar evitar o “contágio” da crise aos clientes britânicos, cabendo ontem ao Banco de Inglaterra anunciar a solução encontrada para salvar os mais de 320 milhões de euros depositados nas sucursais das ilhas britânicas do Laiki. A solução encontrada passou por uma transferência dos depósitos do Laiki inglês, uma sucursal do Laiki cipriota, para o Banco de Chipre também presente na Grã-Bretanha, já que este, ao contrário do Laiki, foi criado como entidade autónoma do Banco de Chipre.

Considerando então os cortes de até 60% previstos para os depósitos dos clientes do Laiki com mais de 100 mil euros, esta operação do governo e do Banco de Inglaterra terá poupado qualquer coisa como 192 milhões de euros aos cerca de 15 mil clientes do Laiki em Inglaterra, uma parte da factura que, porém, deverá agora recair nos depositantes do banco com menos sorte.

in: Jornal i, 3 Abril 2013